Sexta-feira, 9 de Outubro de 2026

“É um grande erro colocar edge data center no leilão”, diz Tude

O presidente da Teleco, Eduardo Tude, avalia quer incluir a construção de data centers de borda entre as obrigações do leilão da faixa de 6 GHz é um equívoco. Em entrevista à TV Síntese, o consultor defendeu que os compromissos associados à venda de frequências priorizem a expansão da cobertura e o atendimento a demandas sociais, enquanto os investimentos em infraestrutura computacional acompanhem as necessidades do mercado.

“Acho um grande erro colocar edge data center no leilão”, destacou. Para Tude, a exigência pode levar à construção de infraestrutura sem correspondência com o plano de negócios das operadoras ou com a procura pelos serviços. “Os leilões de frequências têm que ser neutros em tecnologia”, defendeu.

Na avaliação do consultor, o governo pode estimular esses investimentos por meio de incentivos fiscais. Já as contrapartidas dos editais deveriam se concentrar em objetivos como conectar escolas e ampliar o alcance das redes em áreas rurais.

“É muito bom você botar obrigação de atender escola, que é uma demanda social concreta e existente”, disse. Tude também criticou a exigência de adoção do 5G standalone no leilão da quinta geração, recorrendo ao exemplo para defender que a escolha tecnológica acompanhe a demanda.

A entrevista vai ao ar às 19h de hoje, 7 de setembro, aqui e no nosso canal do Youtube.

IA muda as exigências sobre as redes
O consultor prevê que a inteligência artificial alterará o perfil do tráfego e ampliará a necessidade de integrar conectividade e computação. Segundo ele, a comunicação entre agentes de IA deverá tornar os fluxos de envio e recebimento de dados mais simétricos, além de trazer aplicações que exigem menor latência.

“Com o aumento do tráfego de agentes, você vai ter um tráfego mais simétrico, upload, download”, afirmou.

Nesse cenário, Tude vê espaço para processamento mais próximo dos usuários, inclusive nas empresas e nos próprios dispositivos. A velocidade de expansão da demanda, entretanto, permanece como uma incerteza para o planejamento das redes e dos investimentos.

Ao comparar o momento com a bolha da internet, o executivo afirmou que a questão central é o ritmo dos aportes diante do crescimento do consumo. Na sua avaliação, o risco está em antecipar investimentos que a demanda ainda não consegue sustentar, como ocorreu com empresas que construíram redes de fibra naquele período.

Novos serviços para ampliar receitas
Tude relacionou a busca das operadoras por serviços de tecnologia à dificuldade de expandir a receita de conectividade acima da inflação. Para ele, o mercado empresarial oferece mais oportunidades de diversificação, especialmente em nuvem e cibersegurança, por reunir necessidades e contratos mais complexos.

“A base de tudo, da internet, de IA, de tudo, é conectividade”, afirmou. O consultor avalia que esse serviço continuará como principal fonte de receita das prestadoras, acompanhado por ofertas de infraestrutura computacional e parcerias.

Sua perspectiva é de uma oferta que reúna redes fixas, móveis e alternativas de conexão por satélite para áreas remotas, além de capacidade de processamento na nuvem ou próxima ao cliente.

 

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