Sexta-feira, 7 de Agosto de 2026

Dona da Claro vê promoções afetando receitas do mercado móvel

A aposta de concorrentes em promoções agressivas e sinais de desaceleração da economia brasileira foram apontados pela América Móvil – controladora da Claro – como fatores que estão contribuindo para um crescimento menor de receitas na telefonia móvel no País.

“Sem dúvidas, o mercado ficou mais promocional, e temos visto mais promoções tanto no pré-pago quanto no pós-pago”, afirmou o CEO do grupo mexicano, Daniel Hajj, em conferência sobre resultados do segundo trimestre realizada nesta quarta-feira, 22.

“Desde maio, a TIM e a Vivo têm se tornado mais agressivas, então precisamos acompanhar”, prosseguiu. Uma das estratégias utilizadas tem sido o Claro Flex, considerado uma resposta às ofertas de entrada das competidoras no segmento controle (híbrido), hoje vendidas por cerca de R$ 30.

Questionado por analistas, Hajj não se comprometeu com prazos para aumento de preços no caso de planos controle. Uma reversão da tendência promocional da telefonia móvel foi até projetada, especialmente para o quarto trimestre, mas a depender da dinâmica de mercado.

“Não controlamos a competição. Se o mercado estiver agressivo, vamos ser um pouco mais agressivos também. Se as coisas caminharem para o outro lado, com menos promoções, vamos ver uma melhora nas receitas”.

No segundo tri, a receita de serviços móveis da Claro no Brasil avançou 6,1% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da matriz (que diferem ligeiramente dos divulgados no Brasil). O salto representou desaceleração ante crescimento de 7,8% do primeiro tri e de 8-9% em trimestres de 2025, observou relatório do BTG Pactual.

A América Móvil, por sua vez, apontou na conferência que a base de comparação de 2025 é alta, o que torna a comparação difícil. Outro ponto destacado pelo comando do grupo foram sinais iniciais de uma desaceleração na economia brasileira.

“Esse também é um dos fatores que estamos analisando para entender por que as receitas estão desacelerando. Mas ainda é cedo para concluir. Vamos observar o que acontece nos próximos meses e, então, poderemos identificar se a tendência da economia é de desaceleração”, afirmou Daniel Hajj.

Ganhos de mercado
A América Móvil também destacou aspectos comerciais positivos da operação móvel no Brasil, como a liderança em ganhos de portabilidade numérica. A parceria com o NuCel (operadora virtual do Nubank) no modelo de compartilhamento de receitas também foi citada. “No geral, estamos vendo o Brasil de forma positiva”.

Já no mercado fixo, onde a empresa é líder, a boa notícia foi o aumento consistente de receitas. “Há um ano, estávamos com um crescimento de 1,5%; depois passamos para 1,8%; depois 2,6%; e hoje estamos em 4,1%. As coisas estão melhorando e parecem mais fortes”, afirmou Hajj. A América Móvil também reiterou que busca aquisições nos mercados fixos onde atua.

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