Desktop deve priorizar rentabilidade em 2026, indica S&P
A S&P Global Ratings reafirmou nesta segunda-feira, 29 de outubro, o rating de crédito de longo prazo brA+ para a Desktop, com perspectiva estável. O relatório destaca que a companhia deverá reduzir o ritmo de crescimento orgânico a partir de 2026, concentrando esforços em melhoria da rentabilidade, controle de churn e otimização de caixa.
No primeiro semestre de 2025, a Desktop contabilizou 1,18 milhão de casas conectadas, número 9% superior ao registrado um ano antes. A margem EBITDA dos últimos 12 meses caiu para 49,8%, afetada por redução de cerca de 4% no ARPU no segundo trimestre. A S&P projeta recuperação parcial para 51,5% no segundo semestre.
O relatório antecipa fluxo de caixa livre (FOCF) ainda negativo em 2025, mas com previsão de retorno ao campo positivo em 2026, impulsionado por menor capex e ganho de produtividade. A agência também projeta queda da alavancagem: de cerca de 2,6 vezes EBITDA em 2025 para entre 2,0x e 2,5x no ciclo seguinte.
Estratégia financeira inclui alongamento da dívida
A Desktop realizou duas emissões de debêntures em 2025, totalizando aproximadamente R$ 1,4 bilhão. Os recursos são destinados à amortização antecipada da 6ª emissão (cerca de R$ 630 milhões), reforço de capital de giro e expansão da infraestrutura, o que melhora o perfil de amortização da dívida. A agência classifica a liquidez da empresa como suficiente.
Em 30 de junho de 2025, a Desktop apresentava R$ 671 milhões em caixa e contava com captação adicional de até R$ 1 bilhão por meio da 9ª emissão. As obrigações de curto prazo somavam R$ 160 milhões, enquanto os investimentos estimados em 12 meses são de R$ 365 milhões.
A estrutura de capital está em conformidade com os covenants financeiros vigentes, que exigem dívida líquida inferior a 3,0x o EBITDA. Segundo a S&P, há um colchão de ao menos 15% frente a esse limite, o que garante margem de segurança adicional.
Rede FTTH em 200 municípios e expansão gradual do B2B
A Desktop opera com rede FTTH de aproximadamente 57 mil km no estado de São Paulo, abrangendo cerca de 200 cidades e uma base superior a 1,1 milhão de clientes. A operadora mantém planos de migração para Wi-Fi 6 até 2026 e vem adicionando serviços complementares, como MVNO, telemedicina e soluções de cibersegurança. O segmento B2B representa menos de 5% da receita atual, mas deverá ganhar espaço nos próximos ciclos.
O controle acionário da empresa permanece com a HIG Capital (53%), seguido por Denio Alves Lindo (15%), Navi Capital (5%) e ações em circulação no mercado (27%).
A S&P afirma que pode elevar o rating da Desktop em um horizonte de 12 a 18 meses se houver geração de caixa consistente, alavancagem abaixo de 2,0x, margens superiores às dos pares e cobertura de juros acima de 4,0x. Em contrapartida, uma pressão de baixa no rating ocorreria caso a empresa voltasse a adotar estratégia agressiva de crescimento baseada em endividamento, resultando em alavancagem acima de 3,0x, cobertura abaixo de 2,0x, liquidez reduzida e fluxo de caixa persistentemente negativo.
