Cuba restaura eletricidade, mas apagão afeta serviços básicos
Cuba restabeleceu ontem sua rede elétrica após o terceiro apagão total em menos de dez dias. O impacto da falta de energia, no entanto, afeta serviços de distribuição de água, saúde e estoque de alimentos. O ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, afirmou que há “uma total ausência de combustível” na ilha.
“É praticamente uma guerra o que estamos vivendo”, disse o ministro, insistindo que o governo não tem acesso a peças de reposição para suas termoelétricas. Desde janeiro, Cuba sofre uma crise de energia agravada pelo bloqueio dos EUA à exportação de petróleo para o país.
SAÚDE. O apagão na rede elétrica impacta diretamente o sistema de saúde. De acordo com a ONU, mais de 80% dos equipamentos de bombeamento de água em Cuba dependem de eletricidade, e os cortes afetam o acesso a água potável, saneamento e higiene.
A situação, segundo a ONU, tem repercussões diretas na qualidade de vida da população e no funcionamento de serviços básicos, agravando condições já difíceis em várias regiões do país.
A falta de combustível também vem afetando o sistema de racionamento e a distribuição da cesta básica. UTIs e serviços de emergência são prejudicados, colocando em risco o funcionamento de hospitais e clínicas.
O país, de 9,6 milhões de habitantes, voltou a ficar sem luz na terça-feira, 14, pouco antes do meio-dia, devido a uma falha que provocou um desequilíbrio entre a geração e a demanda de energia. O serviço começou a ser restabelecido no mesmo dia e foi totalmente reconectado ontem.
Foi o quinto apagão nacional desde o início do ano e o décimo desde o fim de 2024. Os dois cortes generalizados anteriores ocorreram na semana passada e, em ambos os casos, a companhia elétrica levou mais de 24 horas para restabelecer o serviço. Além da crise econômica e do embargo americano, Cuba sofre cortes de energia devido à infraestrutura obsoleta. “A situação do nosso sistema elétrico é crítica”, afirmou Levy.
CERCO. Os EUA mantêm um embargo à ilha desde 1962, mas impuseram em janeiro um bloqueio petrolífero total por ordem de Donald Trump, que só permitiu a chegada de um navio-tanque russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto, desde então, o que piorou a crise energética. O cerco americano dificultou o abastecimento de combustível às usinas elétricas e aos geradores de reserva, que utilizam diesel importado.
Sistema sucateado Com mais de 40 anos de operação, as usinas de Cuba sofrem avarias constantes
Esses motores servem de complemento às sete usinas térmicas que representam o pilar do sistema elétrico cubano. Com mais de 40 anos de operação, elas sofrem avarias constantes ou precisam ser paralisadas para manutenção.
