Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026

Cortes de geração crescem 14% e batem recorde em setembro

Os cortes de geração, conhecidos como curtailment no jargão setorial, bateram recorde em setembro, alcançando 6.640 megawatts médios (MWmed), um aumento de aproximadamente 14% em relação a agosto, segundo dados da Volt Robotics. O total corresponde a uma vez e meia o montante de energia que pode ser comercializada por Belo Monte.

Os cortes foram mais intensos nas usinas solares, chegando a 34,8%, enquanto na fonte eólica ficaram em 22,9%. Entre as razões apontadas, a Volt Robotics menciona aumento de 9,2% nas interrupções energéticas, motivadas pela impossibilidade de alocar a geração na carga demandada.

Já o curtailment por confiabilidade, motivado por restrições nos equipamentos pertencentes a instalações externas à usina, cresceu 8,3%; enquanto os cortes por indisponibilidade externa, motivados por indisponibilidade do sistema de transmissão, diminuíram 22%.

Os cortes de geração têm dominado o debate no setor elétrico, tendo em vista o forte impacto financeiro para diversas geradoras, afetando muitos projetos ainda em fase de recuperação dos investimentos. Em casos mais graves, ameaça até mesmo a sustentabilidade de algumas empresas, mais focadas em ativos eólicos ou solares.

Calamidade
O diretor-presidente da Volt Robotics, Donato Filho, classifica a situação como “calamitosa” e avalia que o problema pode piorar em 2026, quando haverá a ocorrência de muitos feriados prolongados. “Nada pior para essa situação do que feriado prolongado de muito sol”, disse, referindo-se ao fato de que os corte de geração são maiores nos fins de semana e feriados, quando o consumo, sobretudo industrial cai muito.

Para o presidente do conselho de administração da Matrix Energia, Wilson Ferreira Jr., o curtailment é o principal problema do setor elétrico por seu potencial de desarranjá-lo. Para ele, o momento é de “muita preocupação” e pode desestimular os próprios financiadores de empreendimentos de energia no País em pleno contexto de transição energética, já que os investidores correm o risco de não conseguirem fazer frente aos financiamentos contratados.

Um grupo de trabalho criado pelo governo federal avalia há meses soluções para lidar com as perdas financeiras passadas e restrições futuras, mas até agora nenhuma proposta foi apresentada. O diretor de operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Christiano Vieira, afirmou que dentro de um mês deve ficar pronta a análise sobre uma solução para amenizar o curtailment.

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