Corrida por 5G standalone e slicing começa agora, afirma Ericsson
Para a Ericsson, a corrida pela adoção do 5G standalone (5G SA) e pelo lançamento de ofertas de fatiamento de rede (network slicing) vai começar agora no Brasil, impulsionada pela transição de frequências do 4G para o 5G.
Dessa forma, a fornecedora entende que com a ampliação da infraestrutura e da base de quinta geração, chegou a hora de as operadoras avançarem em produtos comerciais em cima da rede de quinta geração.
“O que está faltando agora é definir o produto e fazer o lançamento comercial”, pontuou Paulo Bernardocki, diretor de Soluções de Rede da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, nesta terça-feira, 23, em evento online com jornalistas.
Bernardocki destacou que o 5G SA ainda não decolou no Brasil, como reconhecem as operadoras, por uma questão técnica (dependência de frequência alta, o que exige mais antenas para disseminar o sinal) e por uma necessidade de expansão de base.
Mas com a migração de clientes do 4G para o 5G, as teles passam a ter mais espaço para adaptar frequências baixas para a quinta geração.
“Com a migração da base, elas estão mudando frequências de 4G para 5G. Por isso, a discussão sobre desenvolver oferta em standalone é feita agora”, disse.
“A operadora que fizer isso mais rapidamente leva uma vantagem comercial. E, com o SA, temos tudo o que é necessário para fazer o network slicing de forma adequada”, acrescentou.
De acordo com o Ericsson Mobility Report de junho deste ano, em todo o mundo, 84 operadoras já lançaram ofertas de fatiamento de rede.
Bernardocki citou a japonesa Softbank, que implementou a tecnologia durante o fim de semana do GP de Fórmula 1 em Suzuka, no Japão. Os resultados apontaram um avanço de 4,1 vezes na velocidade de downlink e 14,6 vezes no uplink.
“Qualquer operadora com SA e [antenas] Massive MIMO pode fazer isso. O que falta não é rede, o que falta é definir o produto e colocar o pacote comercial à venda”, asseverou.
Pressão por uplink
Segundo o diretor da Ericsson, em termos de infraestrutura, o desafio das operadoras atualmente é preparar as redes para fluxos de uplink. O avanço do uso da Inteligência Artificial (IA) deve evidenciar ainda mais essa necessidade.
“O uplink já está estressado, chegando ao limite. A grande cartada hoje das operadoras é usar o Massive MIMO nas frequências que estão liberando o 4G, pôr a tecnologia e converter o rádio para 5G”, afirmou.
Bernardocki ainda indicou que, embora seja incerta a adoção de novas tecnologias como realidade aumentada pelo consumidor, a rede móvel será pressionada pela “IA física, a do chão de fábrica”, uma vez que a rede celular tem capacidades de desempenho e mobilidade diferentes das apresentadas pelo Wi-Fi.
“Segurança, confiabilidade e banda – são essas três coisas que o 5G entrega, em particular o SA. Se não dermos o passo para o standalone, a lógica toda não pode ser dada. Hoje, o foco das operadoras deve estar em cima desse movimento”, ressaltou.
