Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2025

‘Corrida pela energia’: Japão aposta em painéis solares flexíveis para reduzir emissões e desafiar China; entenda

O Japão está investindo pesadamente em uma nova geração de painéis solares flexíveis e ultrafinos com a meta de atingir seus objetivos de energia renovável e desafiar a supremacia chinesa no setor.

Os painéis dobráveis de perovskita são vistos como solução ideal para o país, marcado por um relevo montanhoso e escassez de áreas planas para fazendas solares tradicionais. Um ingrediente-chave desses módulos é o iodo, do qual o Japão é o segundo maior produtor mundial, atrás apenas do Chile.

Apesar do potencial, a tecnologia ainda enfrenta desafios: as células de perovskita contêm chumbo tóxico, atualmente geram menos energia e têm vida útil inferior aos tradicionais painéis de silício.

Com a meta de alcançar emissão líquida zero até 2050 e o desejo de reduzir a dependência da cadeia solar controlada pela China, as autoridades japonesas consideram os painéis de perovskita uma peça estratégica para a descarbonização e a competitividade industrial.

— Devemos garantir sua implementação na sociedade a qualquer custo — afirmou o ministro da Indústria, Yoji Muto, em novembro.

O governo japonês oferece incentivos generosos ao setor. Entre eles está um subsídio de 157 bilhões de ienes (cerca de US$ 1 bilhão) para a Sekisui Chemical, fabricante de plásticos, produzir painéis suficientes para gerar 100 megawatts até 2027 — energia suficiente para abastecer 30 mil residências.

Até 2040, o país quer instalar painéis capazes de gerar 20 gigawatts, o equivalente à produção de 20 reatores nucleares. O plano ajudaria o Japão a cumprir a meta de ter 50% de sua demanda elétrica suprida por fontes renováveis no mesmo período.

A corrida pela energia solar
Atualmente, a energia solar — com painéis de silício ou perovskita — responde por 9,8% do consumo energético japonês. A expectativa é elevar essa fatia para 29% até 2040.

Os painéis de perovskita têm como vantagem o peso reduzido e a flexibilidade, o que permite instalação em superfícies irregulares ou curvas. Com apenas 1 milímetro de espessura e pesando uma décima parte de um painel convencional, são considerados ideais para um território em que 70% da área é montanhosa.

Prototipagens já começam a sair do papel: a tecnologia está sendo aplicada em um edifício de 46 andares em Tóquio, no estádio de beisebol da cidade de Fukuoka e até em janelas desenvolvidas pela Panasonic.

— Se o Japão conseguir mostrar um bom modelo, acredito que poderá exportá-lo para o mundo — afirmou Hiroshi Segawa, especialista em tecnologia solar da Universidade de Tóquio.

Apesar do entusiasmo, a produção em massa ainda é distante. Os módulos de perovskita têm vida útil de cerca de 10 anos, contra 30 anos dos painéis de silício, e o uso de chumbo exige cuidados ambientais no descarte. Mesmo assim, os avanços recentes indicam que em breve poderão igualar a eficiência e alcançar uma durabilidade de até 20 anos.

— Não devemos pensar em termos de silício ou perovskita, mas em como maximizar o uso de energia renovável — disse Segawa.

 

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