Terça-feira, 9 de Dezembro de 2025

Confira o novo Plano de Uso do Espectro 2025–2032 da Anatel

A Anatel publicou este mês a versão 1.0 do Plano de Uso do Espectro de Radiofrequências com vigência de 2025 a 2032, comentou Vinicius Caram, durante o evento NEO 2025, que acontece em Salvador (BA). O documento consolida diretrizes técnicas e regulatórias, estudos prospectivos e projeções de destinação de faixas para serviços móveis, radiodifusão e aplicações emergentes como conectividade direta satélite-celular e Internet das Coisas via satélite.

Além de orientar a Agenda Regulatória 2025–2026, o plano é acompanhado pelo cronograma PRISMA (Planejamento de Referência para Implantação de Sistemas Móveis Avançados), que organiza por horizonte temporal as faixas que deverão ser objeto de leilão até 2036.

Abaixo, a tabela resume as principais faixas indicadas no PRISMA com data estimada de disponibilidade ou licitação:

Faixa de frequênciaPrevisão de leilão
700 MHz (blocos 2 e 3)Até 2026
850 MHzAté 2026
900 MHzApós 2032 (exceto MG)
1,9 / 2,1 GHz (FDD)Até 2026
2,3 GHzAté 2028
2,5 GHz (FDD)Até 2028
2,5 GHz (TDD)Até 2032
3,5 GHz (20 MHz)Até 2032
4,9 GHzAté 2032
6 GHz (6,425–7,125 MHz)Até 2026
10,5 GHz2032 a 2036
26 GHzAté 2032
1,5 GHzEm estudo (médio prazo)
1,8 GHz (FDD)Em estudo (médio prazo)
1,9 GHz (TDD)Em estudo (médio prazo)

6 GHz e TV 3.0
O Conselho Diretor já destinou a subfaixa de 6,425–7,125 GHz ao Serviço Móvel Pessoal (SMP) e determinou a elaboração do edital de licitação. A Anatel conduz estudos sobre convivência com o Wi-Fi — incluindo uso híbrido e mecanismos de acesso coordenado — e avalia liberar o segmento inferior (5,925–6,425 GHz) para uso outdoor. A área técnica propõe, contou Caram, que o leilão do espectro móvel em 6 GHz seja realizado com 3 lotes nacionais de 200 MHz e 1 regional de 100 MHz.

O plano confirma a destinação de três subfaixas à radiodifusão (231–237 MHz, 250–292 MHz e 345–363,5 MHz), possibilitando até 11 novos canais. A Anatel definirá regras de desocupação pelas aplicações existentes e critérios técnicos para uso futuro pela TV 3.0.

Conectividade direta via satélite e IoT em 900 MHz
A agência mantém o sandbox regulatório sobre conectividade direta satélite-dispositivo (D2D), com autorizações experimentais de até dois anos, e participa de discussões internacionais sobre o tema. Também avalia o uso da faixa de 915–928 MHz para IoT via satélite, atualmente ocupada por dispositivos de radiação restrita.

O plano propõe estudos para aplicação de IA na gestão dinâmica do espectro, simulações de refarming e análise de coexistência de serviços, como forma de ampliar a eficiência técnica e econômica do uso das radiofrequências.

Aqui, o documento na íntegra.

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