Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026

Com foco em multinacionais, Singtel entra no mercado brasileiro

A Singtel, principal grupo de telecomunicações de Singapura, vai inaugura um escritório no Brasil no terceiro trimestre, como parte de uma estratégia de expansão internacional voltada ao atendimento de empresas multinacionais. A atuação no país será exclusivamente business-to-business (B2B) e terá como base a oferta de conectividade global, redes definidas por software, integração com nuvem, soluções habilitadas para 5G e plataformas de orquestração e inteligência artificial.

Em entrevista à imprensa especializada nesta terça, 3, Keith Leong, Chief Customer Officer da divisão Enterprise da Singtel em Singapura, afirmou que a decisão de entrar no Brasil está associada ao papel estratégico do país na América Latina e à convergência entre a transformação digital brasileira e a estratégia do grupo asiático.

“Posicionamos o Brasil como uma aposta estratégica de longo prazo, alinhada à integração digital entre a Ásia e a América Latina”, afirmou. Segundo o executivo, a entrada no país não deve ser vista como uma iniciativa pontual. “Esta não é uma presença isolada, mas um investimento estruturado no nosso crescimento regional”, disse. Para Leong, o país vive um momento favorável: “O Brasil está entrando em um boom digital que se alinha perfeitamente à nossa visão de conectar a América Latina com a Ásia”.

Dimensão global do grupo
A Singtel se apresenta como um dos maiores grupos globais de tecnologia em comunicações. De acordo com os dados apresentados pelo executivo, o grupo registra receita operacional de cerca de US$ 14,1 bilhões ao ano, EBITDA em torno de US$ 3,8 bilhões e uma base superior a 820 milhões de assinantes móveis, considerando participações e controladas em 22 países.

O grupo mantém participações relevantes em operadoras como AIS (Tailândia), Airtel (Índia), Globe (Filipinas) e Telkomsel (Indonésia), além de controlar integralmente a Optus, na Austrália. A estrutura global inclui cerca de 400 pontos de presença e escritórios em mercados da Ásia-Pacífico, Europa e Estados Unidos. O Brasil passa a integrar esse mapa, com a abertura de um escritório em São Paulo.

Nas Américas, há apenas outro escritório. “Temos escritórios na Ásia-Pacífico, na Europa, nos Estados Unidos e, agora, no Brasil, em São Paulo”, afirmou Leong.

Operação B2B e foco em multinacionais
A atuação da Singtel no Brasil será restrita ao mercado corporativo. “Estamos aqui para atender clientes empresariais. É um ambiente B2B. Não vamos oferecer banda larga ou pacotes móveis para consumidores”, disse o executivo. O foco está em empresas com operações internacionais ou em companhias brasileiras que buscam expansão para a Ásia-Pacífico, utilizando Singapura como hub regional.

Segundo Leong, a empresa já atende clientes globais com presença no Brasil e decidiu estruturar a operação local para ampliar a proximidade e o suporte. “Já temos clientes operando em São Paulo e no Brasil. A abertura do escritório nos permite atendê-los com mais proximidade e agilidade”, afirmou.

A Nestlé Brasil foi citada como cliente atendido pela Singtel no país. “Nosso objetivo é servir bem a Nestlé”, disse Leong. Ele explicou que a multinacional foi contratada em um processo global. “Ganhar a Nestlé é um bom exemplo de como demonstramos que somos capazes de ajudar uma organização a transformar sua rede em uma rede preparada para IA”.

Plataformas e estratégia tecnológica
A oferta da Singtel no Brasil será baseada em um modelo de Network-as-a-Service, sustentado por plataformas próprias. Uma delas é o CUBΣ, utilizado para centralizar a gestão de redes multivendor, multicloud e multinacionais, explicou o executivo.

Dentro desse portfólio, há o AI Studio, para desenvolvimento, teste e implantação de soluções de inteligência artificial em ambiente seguro e de baixo código (low code).

A orquestração de redes, nuvem e infraestrutura de borda ficará a cargo da plataforma Paragon, voltada a aplicações empresariais em ambientes 5G. “Temos o Paragon, que gerencia a rede, a nuvem e a infraestrutura de edge e reduz a barreira para a adoção do 5G”, afirmou. Segundo ele, trata-se de um investimento com horizonte de longo prazo.

Parcerias locais e próximos passos
O modelo de atuação da Singtel no Brasil será baseado em parcerias com provedores locais de infraestrutura, incluindo a IG Networks, citada como parceira inicial no país. “Não faremos isso sozinhos. Vamos trabalhar com parceiros locais, incluindo operadoras, para levar nossas soluções ao mercado”, disse Leong. Ele afirmou que a Singtel não vai construir infraestrutura própria nem competir diretamente com operadoras brasileiras.

Questionado sobre a possibilidade de atuar como MVNO ou oferecer redes privadas industriais, o executivo descartou essas frentes no curto prazo. “No momento, a resposta é não”, afirmou. “Não queremos montar um MVNO e competir com os parceiros locais”. Sobre redes privadas, porém, disse que o tema poderá ser avaliado no futuro, após maior conhecimento do mercado brasileiro.

Segundo Leong, o Brasil será o primeiro passo da Singtel na América Latina. “Será o ponto inicial antes de olharmos para outros países da região. Vamos garantir que a operação comece bem aqui”, afirmou.

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