Terça-feira, 8 de Setembro de 2026

Cloudflare se aproxima de ISPs e avalia expansão no Brasil

A Cloudflare, especializada em redes de distribuição de conteúdo, tem estreitado laços com provedores de banda larga para expandir os negócios no Brasil, inclusive se valendo da conjuntura onde diversos prestadores de conectividade buscam ampliar o alcance de operações dedicadas ao segmento corporativo (B2B).

A ideia é alavancar verticais como as de segurança cibernética, computação em nuvem e criação com Inteligência Artificial (IA) entre empresas, de acordo com Bert Milan, vice-presidente da Cloudflare para a América Latina, em entrevista ao TELETIME.

“Trabalhamos com todos os maiores ISPs do País. E todos estão promovendo, individualmente, diferentes serviços B2B”, afirmou. “E acredito que seja um modelo de consumo muito bom para as empresas, pois geralmente envolve algum tipo de recorrência”, acrescentou.

O executivo salientou que a relação da Cloudflare com o mercado de telecom envolve tanto parceria de negócios, com os provedores atuando como canais para venda de produtos e soluções, como contratação de rede. A empresa tem presença em 33 cidades brasileiras (incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador), com capacidade hospedada em mais de 60 data centers.

“Precisamos da parceria com os ISPs para poder publicar os sites dos nossos clientes, mas também para estabelecer conexões e permitir que a nossa nuvem funcione”, explicou.

Segundo Milan, atualmente, por meio da relação com provedores, a Cloudflare tem se dedicado a fornecer acesso a SASE, um serviço que combina conectividade de rede e funções de segurança em uma plataforma em nuvem.

Além disso, a empresa aposta em soluções de segurança cibernética (como proteção contra DDoS) e em uma nova ferramenta de criação com IA, por meio da qual as empresas podem desenvolver suas próprias aplicações.

Cibersegurança
Com base nos dados da Cloudflare, o Brasil é o quarto país que mais sofre ataques cibernéticos no mundo. No segundo trimestre deste ano, a empresa bloqueou, em média, 1,1 bilhão de ameaças cibernéticas por dia no mercado brasileiro – o montante representa uma alta de 12% ante o primeiro trimestre.

A empresa também atendeu, ao longo do segundo trimestre, uma média de 387,8 bilhões de solicitações diárias de conteúdo para o Brasil. Desse total, 47,4 bilhões foram bloqueadas por dia, por serem investidas maliciosas.

O principal alvo dos ataques foi o setor financeiro (20,29%), seguido por organizações civis e sociais (16,96%), logística e transporte (8,53%), varejo (6,12%) e TI e serviços (5,7%).

Expansão
Diante desse cenário, Milan apontou que, como o Brasil representa metade do tráfego latino-americano da Cloudflare, a empresa tem planos de ampliar a presença física no País, embora ainda não abra detalhes.

“Tudo se baseia no consumo. Nossa empresa monitora em tempo real todo o volume de tráfego que ocorre em todos os segmentos da rede. Basicamente, o que fazemos é detectar quando estamos atingindo um determinado limite de utilização da capacidade e, então, ou ativamos um novo nó em outra cidade próxima ou adicionamos mais capacidade àquele local específico”, disse.

“Ainda não posso dizer exatamente onde ficará [o próximo ponto de conexão], pois isso depende dos modelos que nos indicam onde é necessário ter mais capacidade”, completou.

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