Sábado, 5 de Setembro de 2026

Claro vai ter data center de IA em São Paulo a partir de 2027

A Claro Empresas vai instalar 256 GPUs em seu data center em São Paulo no início de 2027 e oferecer a capacidade de processamento de forma fracionada. Apresentado nesta segunda-feira, 24, durante a Febraban Tech, o serviço promete reduzir em até 50% o custo de projetos de IA.

Os equipamentos adquiridos já estão disponíveis para uso, mas permanecem fora do Brasil. A transferência ocorrerá após adaptações no data center, principalmente nos sistemas de energia e refrigeração.

“Hoje as nossas GPUs estão fora do Brasil por uma questão de custo, mas investimos na atualização do data center para energia e refrigeração e as 256 GPUs compradas virão para o Brasil para atender às demandas de soberania e de proteção de dados”, afirmou Mário Rachid, diretor-executivo de Soluções Digitais da Claro Empresas.

A companhia está ampliando a capacidade elétrica de toda a instalação. A refrigeração será modernizada de forma modular, começando por um andar preparado para receber mais equipamentos do que o primeiro lote. O valor do investimento não foi divulgado.

A iniciativa envolve parcerias com Nvidia e Oracle. A operadora também negocia volumes adicionais de GPUs para acompanhar a demanda.

Contratação por hora e cobrança em reais
O serviço permitirá que uma empresa contrate apenas uma fração de uma GPU pelo período necessário, sem comprar o equipamento ou reservar uma unidade inteira. O preço vai variar conforme o volume e o tempo de utilização.

“O modelo desenvolvido permite a contratação apenas da fração necessária da capacidade de processamento, com economia de até 50% nos custos de aquisição”, afirmou Raquel Possamai, diretora-executiva da Claro Empresas para o mercado financeiro.

Um painel permitirá acompanhar o consumo, definir limites financeiros e receber alertas caso o processamento previsto possa ultrapassar o orçamento. A cobrança em reais busca facilitar a previsibilidade dos gastos e reduzir a exposição dos clientes às oscilações cambiais.

A oferta foi lançada comercialmente em junho e já possui usuários, cujos nomes não foram revelados. A Claro informou manter um pipeline com poucas dezenas de oportunidades, envolvendo desde pequenas empresas que começam a desenvolver projetos de IA até grandes organizações que buscam capacidade adicional sem realizar a compra direta dos equipamentos.

Processamento nacional começa em 2027
Quando as GPUs forem instaladas em São Paulo, o processamento poderá ser realizado integralmente em território nacional. A estrutura mira instituições financeiras, órgãos públicos e outras organizações submetidas a requisitos de governança, segurança e proteção de dados.

“Em setores regulados, como o financeiro, que lidam com informações sensíveis e precisam seguir rigorosamente as regras da LGPD e do Banco Central, temas como soberania e governança de dados são considerados críticos”, afirmou Maria Teresa Lima, diretora-executiva da Claro Empresas para Governo.

Estados e municípios também procuraram a operadora em busca de recursos para desenvolver modelos próprios. A proposta é permitir que esses clientes experimentem aplicações de IA com faturamento em moeda nacional e suporte técnico das equipes da Claro e da Nvidia.

Experiência interna vira produto
A intenção da empresa não se limita à comercialização do processamento. A operadora pretende combinar as GPUs com modelos, aplicações e serviços desenvolvidos a partir de experiências conduzidas dentro da própria companhia.

“Esse é o caminho que temos, não é só vender o uso da GPU. A gente quer vender modelos e serviços em cima desses modelos”, disse Rachid.

O primeiro produto apresentado foi o Claro STT, ferramenta de transcrição de voz criada inicialmente para as operações de atendimento da companhia. A solução transforma chamadas em texto e permite que algoritmos identifiquem comportamentos, categorizem informações e apresentem recomendações aos atendentes.

O serviço será oferecido por API, sem exigir a instalação de uma estrutura própria pelo cliente. A previsão é que a integração seja concluída em algumas horas.

No piloto interno, o Claro STT permitiu transcrever 100% das chamadas diárias, ante uma amostragem manual que alcançava entre 5% e 10% da operação. A companhia também registrou aumento de 10% na conversão de vendas.

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