Sábado, 10 de Outubro de 2026

Claro conclui compra da Desktop e assume controle

A Claro concluiu nesta quinta-feira, 1º de outubro, a aquisição do controle da Desktop. Por meio da Claro NXT Telecomunicações, a operadora comprou 84,7 milhões de ações ordinárias, equivalentes a 72,83% do capital da provedora, por R$ 1,747 bilhão, sujeito aos ajustes previstos no contrato. O fechamento foi comunicado pelas duas companhias em fatos relevantes.

A transferência veio acompanhada de mudanças na administração. Rodrigo Marques (foto) foi eleito diretor-presidente da Desktop, enquanto Roberto Catalão Cardoso assumiu as diretorias financeira e de relações com investidores. Denio Alves Lindo deixou a diretoria, assim como Bruno Silva Carvalho de Souza Leão, Benício Silva Gontijo, André Falcão Ribeiro e Glauno Herton Brandão Junior. Todos, no entanto, seguirão na empresa, em novos postos.

O negócio havia sido anunciado em março. A participação foi adquirida do fundo Makalu e dos acionistas Denio Alves Lindo, Mucio Camargo de Assis Filho, Marcos Camargo de Assis e José Carlos Franco Júnior. Segundo a Claro, o objetivo é ampliar sua atuação em banda larga fixa com a integração dos clientes, da rede e da presença regional da Desktop.

Preço e garantias
O preço informado no fechamento equivale a R$ 20,63 por ação. Desse total, R$ 1,620 bilhão corresponde à parcela de fechamento, que inclui R$ 20 milhões retidos como garantia para eventual ajuste de endividamento.

Outros R$ 127,5 milhões permanecerão em conta de garantia para cobrir obrigações de indenização dos vendedores relacionadas a determinadas demandas. Essa parcela terá liberações mensais, conforme o cronograma contratual.

O valor da aquisição ainda poderá ser ajustado após a apuração definitiva da dívida líquida da Desktop em 30 de setembro de 2026.

Novo comando
Além das mudanças na diretoria, José Felix, Rodrigo Marques e Roberto Catalão foram nomeados para o conselho de administração. Eles ocupam as vagas deixadas por Débora Mayor Vizeu, Bernardo Varela Mello e Ana Regina Roson.

A Desktop convocará uma assembleia extraordinária para deliberar sobre outras alterações no conselho e eleger ou ratificar os novos integrantes. Os diretores eleitos terão mandato até a assembleia que examinar as demonstrações financeiras de 2026.

Oferta aos demais acionistas
Com a conclusão da aquisição, a Claro NXT apresentará à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de registro de oferta pública de aquisição de ações (OPA) destinada aos demais acionistas da Desktop.

A intenção é reunir, na mesma oferta, a aquisição por alienação de controle, a conversão do registro da Desktop da categoria A para B e a saída do Novo Mercado da B3. A compradora poderá desistir das duas últimas modalidades e manter apenas a oferta decorrente da transferência de controle.

O preço por ação será igual ao pago aos vendedores, considerados o ajuste de endividamento e a parcela diferida. Os detalhes estarão no edital. Segundo a Claro, ainda não há definição sobre fusão, cisão ou incorporação envolvendo a Desktop.

Integração das redes
O fechamento ocorre após as aprovações regulatórias já noticiadas pelo Tele.Síntese. A Superintendência-Geral do Cade aprovou a aquisição sem restrições em setembro. A Anatel havia concedido anuência em maio, com a obrigação de consolidar a ocupação das redes em um ponto de fixação por poste em até 24 meses após a conclusão do negócio.

Na análise do Cade, a Claro apresentou a migração de clientes atendidos por cabo coaxial para a fibra óptica da Desktop como uma das justificativas da transação. O plano e o cronograma apresentados pelas empresas integram os fundamentos da aprovação concorrencial.

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