Terça-feira, 11 de Agosto de 2026

Circuitos eletrônicos cinéticos movem-se e se interconectam

Circuitos eletrônicos cinéticos movem-se e se interconectam

Etapas mostrando a atuação da eletrônica cinética, que integra um circuito elétrico e um atuador, deformando-se em resposta aos estímulos elétricos recebidos pelos conectores, ligando-se mecanicamente e eletricamente ao outro módulo.
[Imagem: Shunsuke Uchima et al. – 10.1038/s41528-026-00606-9]

Eletrônica cinética

A eletrônica flexível é uma área de pesquisa em franco desenvolvimento devido à crescente demanda por tecnologias vestíveis, robótica flexível e dispositivos médicos.

E esses circuitos eletrônicos, macios e frequentemente até esticáveis, deram agora um salto de qualidade, aproximando-se mais da robótica.

Shunsuke Uchima e colegas da Universidade Kyushu, no Japão, desenvolveram módulos eletrônicos de película fina que podem se conectar e desconectar automaticamente uns dos outros, uma espécie de eletrônica robotizada, circuitos ativos que se movem por conta própria, dispensando atuadores, como motores ou músculos artificiais.

“Hoje, a maioria desses dispositivos é fabricada como sistemas fixos de peça única. Há algum tempo, nosso grupo vem desenvolvendo eletrônica cinética, dispositivos de película fina com atuadores e circuitos que permitem que eles se movam, se conectem e funcionem em conjunto,” explicou o professor Fumihiro Sassa.

Circuitos eletrônicos cinéticos movem-se e se interconectam

Antes da conexão (esquerda), os dois módulos estão separados; após a conexão (direita), o módulo A segura e levanta o módulo B e, ao fornecer  energia através do ponto de conexão, pode acionar independentemente a deformação do módulo B.
[Imagem: Fumihiro Sassa/Kyushu University]

Eletrônica robotizada

O mecanismo de acionamento, o atuador e o circuito elétrico são integrados na mesma película fina.

A camada do atuador é composta de polipropileno e poliimida, dois materiais com diferentes coeficientes de expansão térmica, o que significa que ambos se expandem a taxas diferentes quando aquecidos. A adição de um microaquecedor à película permite que, ao ser aquecida, a película inteira se dobre de modo controlável.

“Desenvolvemos algumas variações diferentes de métodos de encaixe para o dispositivo. Por exemplo, um deles pode se encaixar e se prender um ao outro. Outro possui um mecanismo de fixação em forma de garra que pode se fixar a outro dispositivo e permanecer fixo mesmo quando a energia é desligada,” contou Sassa.

Esses novos dispositivos criam uma interseção entre a eletrônica e a robótica, onde filmes atuadores com circuitos integrados não apenas se dobram, mas também são modulares e podem se conectar e reorganizar suas funções ativamente.

“Esses dispositivos ainda estão em seus estágios iniciais, então há muitas coisas em que precisamos trabalhar. Espero que esta pesquisa leve ao desenvolvimento de dispositivos que possam – como organismos vivos – se automontar, se adaptar e até mesmo se reparar,” concluiu o pesquisador.

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