Sábado, 10 de Outubro de 2026

Capacidade de satélites do Brasil é insuficiente para defesa, diz brigadeiro

A atual capacidade de comunicações por satélite do País é insuficiente para defesa e é preciso ampliar rapidamente a infraestrutura disponível no País. A avaliação foi feita nesta quarta-feira, 30, pelo brigadeiro do ar Sandro Bernardon, chefe do Centro de Operações Espaciais e da Subchefia de Operações Espaciais. Ele discursou no Congresso Latinoamericano de Satélites, no Rio de Janeiro.

Segundo Bernardon, durante a Operação Atlas, realizada na Amazônia no ano passado, a utilização da banda X do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) chegou a 97%.

“Se isso aconteceu na operação de um exercício, quem dirá, então, em uma situação de conflito real? Ou seja, o satélite que nós temos não é suficiente”, afirmou.

O brigadeiro também apontou a necessidade de ampliar a capacidade atualmente disponível. Além da banda X do SGDC-1 pelo Ministério da Defesa, Bernardon lembrou que a Telebras enfrenta saturação na banda Ka.

Nesse contexto, ele citou o RFI lançado pela estatal para o futuro SGDC-2, elaborado, segundo Bernardon, com participação da Defesa e que também incorporou requisitos de comunicações militares.

“Ainda há um caminho longo de refinar requisitos operacionais, requisitos técnicos, logísticos e industriais, de forma que a gente consiga lançar na praça um chamado para propostas firmes das empresas. E o ideal é que a gente tenha um contrato assinado até o ano que vem”, disse.

Outro fator apontado como crítico é a ocupação da posição orbital de 57º Oeste, prevista para o SGDC-2. Segundo Bernardon, existe um filing (registro internacional) associado à Telebras para uso da posição tem prazo até 2030, enquanto outro, de caráter militar, vai até 2031. “O meu medo é, de repente, a gente perder e nunca mais recuperar essa posição em cima do nosso território”, afirmou.

Observação
Além das comunicações, a Defesa pretende ampliar a capacidade de observação da Terra. Atualmente, o tempo de revisita dos satélites com radar de abertura sintética (SAR) usados pela pasta é de 3,5 dias para uma mesma área do território nacional. A meta é reduzir esse intervalo para pelo menos 24 horas.

O planejamento inclui ainda a aquisição de uma frota própria de satélites ópticos. Bernardon citou ainda o SatVHR, primeiro satélite óptico de observação da Terra de altíssima resolução projetado no País. O projeto é liderado pela Visiona (joint venture entre Embraer e Telebras) e recebeu financiamento da Finep.

Baixa órbita
Bernardon também chamou atenção para o aumento da ocupação da órbita terrestre baixa (LEO), especialmente na faixa entre 700 km e 1 mil km de altitude.

Segundo ele, os satélites operados pela Defesa precisam realizar manobras frequentes para evitar detritos e outros objetos. “Toda semana nós temos que desviar de detritos e de outros satélites para não colidir”, relatou.

O brigadeiro citou ainda o papel de empresas como a norte-americana Starlink na ocupação dessa órbita e as estimativas de forte aumento da quantidade de objetos no espaço nos próximos anos.

“A Starlink está com mais de 10.000 satélites, e segue ampliando esse número”, disse. Nos Estados Unidos, SpaceX pediu autorização para implantar uma constelação de até 100 mil satélites de baixa órbita para a terceira geração do sistema (Gen3) da operadora.

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