Terça-feira, 11 de Agosto de 2026

Caminhos para fortalecer América Latina e Caribe na cadeia global de semicondutores foi tema do primeiro painel do SemiCon-LAC 2026

A construção de uma estratégia regional para ampliar a participação da América Latina e do Caribe na cadeia global de semicondutores foi o tema central do primeiro painel do SemiCon-LAC 2026, realizado nesta terça-feira (17), no Tecnopuc – Parque Científico e Tecnológico da PUCRS. Reunindo representantes do Brasil, Costa Rica, Argentina, Chile e México, o debate destacou os desafios e as oportunidades para que a região avance em um setor considerado estratégico para a economia digital, a inteligência artificial e a soberania tecnológica.

Com mediação de Simone Stülp, decana associada da Escola Politécnica da PUCRS, a discussão trouxe uma visão convergente entre academia, governos e setor produtivo: o fortalecimento do ecossistema de semicondutores depende de articulação permanente, formação de talentos, políticas públicas de longo prazo e cooperação internacional.

Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Henrique Miguel destacou que o Brasil vem construindo políticas para o setor desde o início dos anos 2000, impulsionado pela necessidade de desenvolver capacidades próprias em uma indústria altamente dependente de cadeias globais. “As questões geopolíticas atuais e as lições deixadas pela pandemia reforçam a necessidade de ampliar os investimentos e fortalecer o setor de semicondutores no Brasil”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais desafios continua sendo a elevada concentração dos investimentos na Ásia, ao mesmo tempo em que países desenvolvidos ampliam incentivos para atrair novos empreendimentos. Com isso, a integração das cadeias produtivas e a conexão com os grandes demandantes internacionais tornam-se fatores decisivos para o desenvolvimento da indústria na região.

A necessidade de políticas estruturantes de longo prazo também foi um dos temas centrais da fala de Silvio Colombo, da Universidad Nacional de Avellaneda (UNDAV), da Argentina. Segundo ele, a consolidação da indústria exige continuidade institucional e estratégias nacionais capazes de atravessar diferentes ciclos políticos. “Sem políticas de Estado, não é possível fortalecer uma indústria tão estratégica quanto a de semicondutores”, afirmou.

Colombo explicou que o modelo argentino tem priorizado a inovação e a geração de conhecimento, apoiando-se principalmente na força das universidades e dos centros de pesquisa. Para ele, a criação de programas acadêmicos especializados e a realização contínua de encontros internacionais são fundamentais para impulsionar o desenvolvimento regional.

A perspectiva da cooperação regional foi reforçada por Juan José Negroni Vera, da Universidad Santo Tomás, do Chile. Em sua avaliação, os países latino-americanos e caribenhos precisam atuar de forma coordenada para ampliar sua relevância em um mercado global cada vez mais competitivo. “Não podemos competir entre nós. Precisamos construir uma colaboração ampla para que a América Latina e o Caribe se tornem protagonistas nesse setor”, defendeu.

O pesquisador destacou que a formação de capital humano continua sendo um dos maiores desafios para a região e apontou as universidades como agentes fundamentais para transformar conhecimento em desenvolvimento efetivo para a indústria.

Complementando o debate com uma análise da experiência mexicana, Edmundo Gutiérrez Domínguez, do Instituto Nacional de Astrofísica, Óptica y Electrónica (INAOE), apresentou dados sobre a dinâmica global do setor e os diferentes elos de geração de valor dentro da cadeia produtiva. “O mercado global de semicondutores, atualmente avaliado em cerca de 700 bilhões de dólares, deve superar a marca de 1 trilhão de dólares até 2030”, projetou.

Ao apresentar o caso mexicano, Domínguez destacou a trajetória construída ao longo de décadas em pesquisa e design de chips, além das iniciativas voltadas à transferência desse conhecimento para o ambiente empresarial. Segundo ele, o desenvolvimento regional passa pela identificação de vocações específicas dentro da cadeia, aproveitando competências já existentes em pesquisa, design, manufatura e integração tecnológica.

Foi consenso entre os participantes de que a América Latina e o Caribe possuem competências científicas, universidades qualificadas, ecossistemas de inovação em crescimento e potencial para ampliar sua participação na indústria global de semicondutores. O desafio, segundo os painelistas, está em transformar essas capacidades em ações coordenadas, capazes de conectar governos, academia e empresas em torno de objetivos comuns de desenvolvimento tecnológico, geração de negócios e formação de talentos.

Para os participantes, o debate evidenciou que os semicondutores se tornaram um tema estratégico para o futuro econômico da região, presente em praticamente todas as cadeias produtivas e essenciais para a próxima geração de soluções baseadas em inteligência artificial, conectividade e transformação digital.

O SemiCon-LAC 2026 segue até sexta-feira (19). O evento é organizado pelo Tecnopuc e coorganizado pela SICT – Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, com patrocínio Badesul Desenvolvimento, BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, FINEP e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e Vero; apoio FAPERGS – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, Invest RS e Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RS, Sistema FIERGS e SEBRAE RS; e apoio institucional de Abinee – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Associação Brasileira Da Indústria De Semicondutores – Abisemi, CADIEEL – Cámara Argentina de Industrias Electrónicas, Electromecánicas y Luminotécnicas, Sociedade Brasileira de Computação – SBC, Sociedade Brasileira de Microeletrônica (SBMicro), Parque UFRGS e Tecnosinos. A hospedagem oficial é da rede Master Hotéis.

 

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