Cai a venda de smartphones por terceiros nos marketplaces
As vendas de produtos de telecom, especialmente smartphones, por anunciantes em marketplaces caíram 3,6% no primeiro quadrimestre deste ano, se comparado a igual período de 2024, apontam dados da consultoria de mercado NielsenIQ.
Divulgados hoje, 23 de junho, na abertura da Eletrolar Show, feira que acontece em São Paulo, os dados coincidem com medidas da Anatel de combate ao mercado cinza – nome dado à entrada de produtos contrabandeados no mercado local.
No entanto, segundo Mateus Rabelo, da consultoria, o material leva em consideração dados do mercado oficial. “Se houver algum número de mercado cinza, é residual”, afirma. Ou seja, essa queda de 3,6% nas vendas por terceiros nos marketplaces não seria reflexo das medidas do regulador.
Em compensação, as vendas diretas de smartphones pelos markeplaces – aquelas em que eles próprios revendem o produto -, saltaram 26,5% no quadrimestre. Foi a maior alta dentre os segmentos acompanhados para vendas online.
No gráfico abaixo, os detalhes da pesquisa. O termo Online 1P representa a venda direta do marketplace, enquanto o 3P representa o “seller”, anunciante que utiliza a plataforma para alcançar novos clientes:

Mais perto de passar o varejo físico
O levantamento mostra que as vendas online e por marketplaces seguem ganhando espaço no varejo brasileiro de eletrônicos, consolidando uma mudança estrutural na jornada de compra do consumidor, chegando cada vez mais do ponto em que vai ultrapassar o varejo físico.
Rabelo diz que o comércio digital representou 42% do total de unidades vendidas no setor de bens duráveis de tecnologia (Tech & Durables) no primeiro quadrimestre deste ano. Em igual período de 2024, essa participação era de 38%.
Esse avanço é impulsionado principalmente pelo modelo 3P. Originalmente concentrado nos segmentos de tecnologia da informação e telecom, o modelo já se estende com força para categorias como linha branca, eletroportáteis, televisores, monitores e equipamentos de áudio.
Preferência do consumidor se consolida no digital
Segundo pesquisa da NielsenIQ com consumidores brasileiros, os principais fatores para a escolha dos canais digitais são preço e promoção (66%), entrega rápida (45%), disponibilidade de estoque (36%) e facilidade para encontrar produtos (28%). Esses elementos têm ainda mais peso nas plataformas de marketplace, onde a variedade de marcas e modelos é ampliada por vendedores independentes.
Rabelo observou que a jornada de compra começa e, muitas vezes, se encerra no digital. O uso de buscadores e comparadores de preços como fontes de pesquisa cresceu significativamente. Atualmente, 44% dos consumidores consultam buscadores, 43% utilizam comparadores de preços e 42% recorrem a sites de avaliação de produtos. Redes sociais também têm papel importante: YouTube (74%), Instagram (46%) e TikTok (28%) estão entre os canais mais acessados para buscar avaliações e recomendações.
“O marketplace deixou de ser uma vertical específica e passou a se espalhar por diversas categorias. O consumidor não apenas compra online, mas se informa, compara e decide dentro desses ambientes digitais”, explicou Rabelo.
Sortimento mais amplo e crescimento contínuo
O modelo 3P tem se mostrado eficaz para ampliar a oferta sem comprometer o estoque do varejista. Segundo a NielsenIQ, a diversificação do sortimento é um dos pilares do crescimento do marketplace, com destaque para categorias como smartphones, caixas de som, tablets, aspiradores de pó e dispositivos vestíveis, que lideram as vendas com forte apelo digital.
A expectativa do setor é que o canal online mantenha ritmo de crescimento superior ao do varejo físico ao longo de 2025. Com consumidores cada vez mais digitalizados e foco crescente em conveniência, preço e entrega rápida, o modelo tende a se consolidar como dominante na comercialização de eletrônicos e produtos de tecnologia no Brasil.
