Brisanet defende mais espectro para regionais e esforço por celulares 5G
O CEO da Brisanet, José Roberto Nogueira, defendeu a liberação de mais espectro para as operadoras regionais do 5G como forma de reduzir as assimetrias na telefonia móvel em relação às operadoras de porte nacional.
O posicionamento foi manifestado em entrevista ao TELETIME em Destaque, realizada durante o Abrint Global Congress (AGC) 2026, em São Paulo, na semana passada.
O executivo ressaltou que, sem a faixa de 700 MHz – recém adquirida pelas regionais em leilão ocorrido no início do mês –, não seria possível cumprir as obrigações do edital do 5G de 2021, que prevê a cobertura em cidades com menos de 30 mil habitantes. Ainda assim, Nogueira aponta que há uma assimetria considerável de espectro entre as entrantes da telefonia móvel e as grandes teles.
“Até a semana passada, não tínhamos nenhum espectro sub 2 GHz, principalmente abaixo de 1 GHz. Já as operadoras têm as faixas de 700 MHz, 800 MHz, 900 MHz, 1,800 MHz, 2,100 MHz, 2,300 MHz, 2,500 MHz e 3,500 MHz”, pontuou. “Nesse segmento, não tem como competir com uma assimetria tão grande. E o Brasil precisa desse quarto competidor: as regionais, cada uma em sua região”, complementou.
Atualmente, a rede 5G da Brisanet alcança uma área onde vivem 15 milhões de habitantes no Nordeste. Segundo o CEO, se a empresa tivesse obtido acesso à faixa de 700 MHz logo após o leilão de 2021, o mesmo investimento teria levado o sinal de telefonia móvel para uma população endereçável de 24 milhões a 25 milhões. “Fomos obrigados a fazer um investimento maior”, frisou.
Na avaliação de Nogueira, as redes móveis no Brasil contam com “5G ocioso e 4G no gargalo”. Para resolver isso, ele sugere que as operadoras e os fabricantes de smartphones façam um esforço conjunto para vender aparelhos compatíveis com a quinta geração móvel, até como forma de compensar os investimentos feitos em rede 5G standalone (SA).
“Nos últimos três anos, mais de 50% dos celulares vendidos não falam com a rede leiloada em 2021”, salientou.
Na entrevista, o CEO da Brisanet também comenta que, após o aprendizado no Nordeste, a empresa está mais amadurecida para lançar a operação no Centro-Oeste em julho e que as operadoras regionais estão organizando a sua própria associação representativa.
Confira, a seguir, a entrevista na íntegra.
