Sábado, 15 de Agosto de 2026

Brasil quer defender conectividade significativa para Sul Global na UIT

Em campanha para um dos principais cargos de comando na União Internacional de Telecomunicações (UIT), o Brasil pretende defender a conectividade significativa para países do Sul Global dentro do organismo internacional ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Atual presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e candidato do Brasil ao cargo de secretário-geral adjunto da UIT, Carlos Baigorri defendeu a abordagem nesta quarta-feira, 6, durante o primeiro dia do Abrint Global Congress (AGC) 2026, realizado em São Paulo.

Em participação remota no evento de provedores de banda larga, Baigorri apontou que um dos objetivos de sua candidatura é evidenciar desafios do Sul Global para a conectividade significativa — conceito que pressupõe não apenas a conexão dos indivíduos, mas também o acesso a serviços, aplicações, dispositivos e segurança.

“A visão que o Brasil quer levar é de como podemos dar um passo a mais. Claro, é preciso levar conectividade a todos — temos 2 bilhões de pessoas sem conectividade [no mundo] —, mas também devemos ir além disso para aqueles que estão conectados”, afirmou Baigorri.

Neste sentido, o dirigente brasileiro apontou que o acesso à Internet não deve ser pensado tão somente pela chave do entretenimento, devendo ser ferramenta também em frentes como educação, produtividade, saúde e emprego.

Baigorri participou de painel na AGC 2026 ao lado de representantes do setor público de telecomunicações da Costa Rica e do Uruguai, que defenderam o posicionamento do Brasil em defesa da conectividade significativa no Sul Global. A Abrint também tem se mobilizado pela candidatura brasileira.

A eleição para o comando da UIT ocorrerá durante a Conferência de Plenipotenciários da UIT (PP-26), que acontece em novembro, em Doha, no Catar.

PPPs
No painel mediado pela vice-líder do conselho da Abrint, Cristiane Sanches, o presidente da Anatel também destacou o papel dos provedores de banda larga na democratização da Internet no País. O avanço do Brasil na seara também foi destacado pelos reguladores internacionais.

“Nos últimos 14 anos tivemos uma revolução no mercado de banda larga fixa”, disse Baigorri. “Hoje o Brasil é referência graças à atuação de milhares de PPPs [prestadores de pequeno porte] e através da redução da carga regulatória e da definição de assimetrias regulatórias”.

“[Isso propiciou] a inclusão de pessoas que não estavam no mercado. Os PPPs efetivamente abriram novas fronteiras de consumo para o mercado de telecom e incluíram digitalmente milhões de brasileiros, e por isso fica nosso agradecimento”, completou o presidente da Anatel.

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