Terça-feira, 9 de Dezembro de 2025

Banda larga segue em alta, com novo ritmo e composição

O Brasil encerrou o mês de junho de 2025 com 52.908.961 acessos de banda larga fixa, de acordo com dados oficiais da Anatel. Um avanço significativo em relação a 2011, quando o país contava com apenas 15,2 milhões de conexões.

O crescimento anual registrado foi de 6,31% na comparação com junho de 2024. No entanto, esse número pode estar subestimado em cerca de 1 milhão de acessos, devido a um problema recorrente de subnotificação.

Foram identificadas 822 prestadoras que reportaram dados em maio, mas não em junho, o que gerou uma lacuna de 976.307 acessos nos registros oficiais. Esse tipo de distorção reforça a necessidade de cautela na análise de estatísticas públicas e a importância de aprimorar os mecanismos de reporte.

Considerando esse ajuste, o total de acessos ultrapassa 53,8 milhões, elevando o crescimento anual para 8,26% no mesmo período.

Essa última janela de 12 meses chega com alguns destaques:

Acesso via satélite apresentou crescimento expressivo de 29,1%, com mais de 141 mil novos acessos, reflexo direto da consolidação dos satélites de órbita baixa (LEO) no Brasil.
A fibra permanece como tecnologia predominante, respondendo por 77,9% de todos os acessos.
Se consideramos apenas as operadoras competitivas esse percentual ultrapassa 90%.
As tecnologias legadas seguem em retração:
Rádio: -9 mil acessos
Cabo coaxial: -280 mil acessos
Cabo metálico: -470 mil acessos
88% dos acessos são residenciais (B2C) indicando oportunidades latentes no segmento corporativo (B2B).
Pulverização do mercado se mantém significativa:
As 10 maiores operadoras concentram 57,9% dos acessos,
Enquanto os outros 42,1% estão distribuídos entre 8.347 prestadoras com base nos dados de junho/25.
Nos últimos 12 meses, o Brasil adicionou mais acessos de banda larga fixa do que a maioria dos países europeus em três anos. Mas por aqui, operam mais de 22 mil prestadoras, um grau de pulverização único no mundo.

O mercado segue em expansão, mas ainda em um ritmo incompatível para suportar tamanha pulverização.

A fragmentação operacional, a informalidade e os desafios regulatórios seguem limitando não apenas a escala e a eficiência do crescimento, mas também a visibilidade real sobre a infraestrutura do país.

 

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