Assistente de IA e nuvem viram novos atrativos das teles
Na disputa por clientes e novas fontes de receitas, as operadoras de telecomunicações estão testando uma nova fronteira de serviços: pacotes de internet com assistentes de inteligência artificial (IA) e armazenamento de dados na nuvem. Esse movimento segue a mesma lógica de outros serviços digitais que passaram a compor os planos de internet nos últimos anos: streamings de áudio e vídeo, redes sociais e mensageria, por exemplo. Em um primeiro momento, as novidades são oferecidas gratuitamente, como uma isca aos consumidores. Depois, as empresas tendem a cobrar para manter os novos aplicativos dentro dos planos, representando uma fonte extra de receita. O presidente da Telefônica Brasil (dona da Vivo), Christian Gebara, contou que o grupo vê grande potencial para ampliar o faturamento, tornando-se um distribuidor desses serviços digitais, assim como já acontece com Netflix, Globoplay e YouTube Premium, entre outros (categoria chamada no jargão de “over the top”, ou OTT).
• NO BOLSO. “Assim como foi com os OTTs de vídeo, enxergamos que a Vivo será uma plataforma de distribuição das IAs, sem exclusividade com nenhuma”, explicou Gebara. Para cada venda de OTT, a Vivo fica com uma parte da receita. O faturamento da Telefônica Brasil com a comercialização de serviços atingiu R$ 890 milhões no acumulado dos últimos 12 meses até o segundo trimestre, um crescimento de 25,7% na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores. Neste segmento, 4,9 milhões de clientes já pagam para contratar um streaming.
• FIDELIDADE. Segundo Gebara, a distribuição dos aplicativos facilita a organização das finanças pessoais dos clientes ao reunir diferentes serviços numa só fatura. Em paralelo, ajuda a reforçar a fidelidade dos consumidores aos serviços da operadora como um todo. “Enxergamos isso com um grande potencial”, emendou.
• QUEM MAIS. A Claro também vem ampliando os serviços digitais nos seus planos, com assistentes de IA e armazenamento de dados na nuvem. Desde o ano passado, a operadora liberou o ChatGPT Plus grátis pelo período de quatro meses, sem custo adicional a clientes de combos. Na sua iniciativa mais recente, a tele fechou parcerias com a Apple e com o Google para os clientes da operadora guardarem fotos, vídeos, documentos e afins nas plataformas Google One ou iCloud+.
• ESPAÇO. A Claro também vê a iniciativa como uma forma de se diferenciar no mercado e atrair mais consumidores, além de abrir novas fontes de receita. Numa pesquisa, a tele descobriu que a falta de espaço no celular é uma das principais “angústias” dos usuários do aparelho.
• PONDERADO. Por sua vez, a TIM busca uma maneira de agregar os novos serviços ao portfólio e, ao mesmo tempo, garantir que eles sejam convertidos de fato em receita adicional para a empresa.
• EM ANÁLISE. Diante dessas ponderações, a TIM estuda alternativas para equalizar despesas e receitas. “Estamos analisando um conjunto de opções que gere valor para nosso cliente via acesso ao assistente de IA, mas que também gere para nós uma avenida de crescimento”, afirmou o presidente da TIM, Alberto Griselli.
• ESTREIA. A primeira prévia da carteira teórica do Ibovespa para o próximo quadrimestre traz uma empresa novata no índice, ainda que seja uma antiga conhecida do mercado doméstico. A incorporadora Tenda cumpriu os princípios de negociabilidade e caminha para entrar no principal índice da B3 quase 20 anos após fazer sua estreia na Bolsa, em outubro de 2007. A nova carteira entra em vigor em 8 de setembro e é condicionada aos volumes de negociação até o final de julho.
R$ 890 milhões foi a receita da Vivo com a venda de serviços nos 12 meses encerrados em junho, um aumento de 25,7% R$ 161 milhões foi o lucro da Tenda no segundo trimestre de 2026, alta de 109%; construtora vai fazer parte do Ibovespa.
