Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025

Anatel quer compromisso real de ESG entre operadoras de telecom

A Anatel pretende cobrar um compromisso concreto de governança ambiental, social e corporativa (ESG) das operadoras de telecomunicações interessadas em leilões de espectro, priorizando ações reais de empresas em instrumentos como o próximo leilão de 700 MHz.

A sinalização foi confirmada nesta terça-feira, 2, pela superintendente de relações com consumidores da agência, Cristiana Camarate. A servidora participou do primeiro dia do Painel Telebrasil 2025, realizado nesta terça-feira, 2, em Brasília.

Segundo Caramate, há empresas no setor que já estabeleceram uma cultura e materialidade na agenda de sustentabilidade e ESG. Por outro lado, existe quem acredite que “fazer um relatório bonito” ou “abraçar uma árvore é suficiente” para atender demandas de sustentabilidade.

Neste sentido, a superintendente destacou a intenção firme da Anatel de incentivar a internalização da pauta ESG no setor. “Quer participar do novo edital de 700 MHz? Então comprovem realizações de práticas ESG”, declarou Caramate, em painel com representantes da cadeia.

Vale lembrar que como conselheira substituta no Conselho Diretor da Anatel, a servidora foi relatora do edital do próximo leilão de 700 MHz, previsto para este ano. O documento aprovado em julho traz diretrizes voltadas para a área ambiental, social e de governança corporativa, que ainda precisam ser detalhados pela agência.

Demais instrumentos
Os leilões de espectro não são a única ferramenta vislumbrada pela Anatel no esforço em favor da agenda ESG no setor de telecom.

“Quer crédito barato para construir infraestrutura via Fust? Ok: então, vai ter que conectar escolas. Quer converter multas em obrigações de fazer? Maravilha, vamos pensar em projetos de habilidades digitais”, prosseguiu Caramate, ao abordar ferramentas à disposição da agência para promoção de pautas sustentáveis.

Assim, a superintendente destacou a relação direta da agenda com conceitos vitais para a Anatel, como a conectividade significativa. A abordagem considera não apenas a disponibilidade de infraestrutura, mas também a capacidade do cidadão usufruir a Internet de forma plena e segura.

Neste sentido, Caramate destacou que 54 milhões de brasileiros têm acesso à Internet, mas optam por não utilizar o recurso por falta de habilidades digitais. A expectativa é que iniciativas de letramento digital também sejam consideradas em futuras políticas públicas do setor.

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