Anatel mapeia 30 mil localidades sem fibra e 26 mil, sem cobertura móvel
A edição de 2026 do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) da Anatel apresentou um novo diagnóstico sobre as lacunas de infraestrutura e de conectividade significativa ainda existentes no Brasil, e que devem ser foco de futuras políticas públicas.
Entre os achados estão a existência de 30.031 localidades sem backhaul de fibra óptica nem obrigações de atendimento atualmente estabelecidas. Em paralelo, 652 municípios se encontram na mesma situação, sendo 40% na região Nordeste e 186 em Minas Gerais.
Já quando o assunto é cobertura móvel, cerca de 26,4 mil localidades afastadas ao redor do Brasil ainda não possuem 4G ou obrigações regulatórias de chegada da tecnologia, ainda que a rede em áreas urbanas já atinja patamares elevados.
Do universo de localidades sem sinal, pouco mais de 15 mil são setores censitários identificados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já outras 11,4 mil localidades foram identificadas via prospecção da Anatel e de outros órgãos como Fundação Palmares e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
“Apesar dos avanços realizados, ainda existem lacunas significativas de cobertura móvel 4G em diversas regiões, especialmente em áreas indígenas, rurais e localidades remotas. Essas lacunas refletem desafios estruturais e de investimento que dificultam a universalização da conectividade”, aponta o PERT. Comunidades quilombolas, escolas e rodovias também são pontos de atenção.
“A persistência dessas áreas sem cobertura evidencia a necessidade de estratégias mais eficazes e direcionadas, incluindo o cumprimento rigoroso de obrigações regulatórias e a colaboração com diferentes esferas governamentais para promover uma inclusão digital ampla e equitativa”, conclui o documento da Anatel.
Foco das ações de ampliação da infraestrutura de acesso móvel. Fonte: PERT/Anatel
Aldeias indígenas
Especificamente nas localidades identificadas como aldeias indígenas, a Anatel apontou que apenas 16% têm cobertura 4G (se considerado o percentual mínimo de 95% da área da localidade com cobertura). 2,5 mil aldeias exigiriam atuação para chegada da rede.
O PERT também aponta que 2,4 mil localidades não apresentam nenhum sinal de cobertura móvel 4G, o que equivale a 77% das localidades indígenas mapeadas pelo IBGE , segundo as simulações de cobertura da Anatel. “A falta de cobertura móvel 4G nas aldeias indígenas ressalta a urgência de iniciativas voltadas à inclusão digital dessas comunidades”.
Conectividade significativa
O novo PERT também reflete o reposicionamento da Anatel para abordar a conectividade significativa, passando não apenas pela infraestrutura mas também por aspectos como qualidade da conexão, habilidades digitais, acesso a dispositivos e segurança.
Uma das conclusões é que a execução da estratégia exigirá a criação de novos indicadores de experiência, transparência e condições reais de uso. Além disso, a política de conectividade da Anatel deverá atuar sobre a demanda e uso, não apenas sobre oferta de rede, confirma o PERT.
C-Int
A proteção de infraestruturas críticas também deve ser tratada como dimensão estratégica do planejamento regulatório, incluindo cabos submarinos, aponta o diagnóstico. Inclusive, o Comitê de Infraestrutura de Telecomunicações (C-Int) fará um acompanhamento permanente do PERT, como tema estratégico em suas reuniões.
Uma das propostas do C-Int é o desenvolvimento de um dashboard para acompanhar a dinâmica de evolução do PERT, permitindo o monitoramento contínuo de indicadores, diagnósticos, lacunas e projetos estruturantes.
