Alloha segue cautelosa e focada no processo de turn around, diz Roger Solé
A Alloha Fibra ainda está em um momento de turn-around, como define seu CEO, Roger Solé, em conversa com este noticiário para comentar os dados do balanço do primeiro trimestre, divulgado nesta terça, 12. Os pontos positivos são os dois trimestres seguidos de aumento de receita Ainda que ainda haja queda na comparação anual), a redução do endividamento em relação a 2025, a marca simbólica de uma margem EBITDA superior a 50% e o resultado positivo no último trimestre.
Mas segundo ele ainda há muito a ser feito e a Alloha seguirá conservadora em investimentos, expansão e novos serviços. “Nosso foco é resgatar a característica de ser uma empresa ágil e próxima ao consumidor, com atendimento de excelência antes de tudo”, diz. Para Solé, a empresa viveu justamente esse conflito depois do intenso ciclo de consolidações por que passou. “Crescemos e nos afastamos um pouco dessas qualidades de uma empresa local, e isso nos deixou menos eficientes”, diz.
Por outro lado, aponta, a Alloha ganhou sinergias, escala e capacidade de execução nacional, o que também é importante nesta nova fase. “Mexemos no time, enxugamos, nos processos e os resultados estão aparecendo”, diz.
Um dos desafios ainda a ser vencido é estancar a perda de base. Nos últimos 12 meses a empresa foi uma das que mais perdeu clientes, mas esse ciclo parece estar perto do fim. A perda no primeiro trimestre ainda existiu, mas já mostra sinais de desaceleração. “Nosso foco agora está em trazer clientes melhores para a base e segurar os bons clientes”. Isso se reflete no crescimento de receita, mesmo com uma base menor, com foco na geração de caixa.
Dívida em redução
Segundo Felipe Matsunaga, CFO da empresa, o endividamento dos PPPs é, de uma maneira geral, um problema muito sério do mercado, e a Alloha não quer ser um destaque negativo nesse quesito. “Temos que manter essa dívida em um patamar saudável, e isso vem da racionalização dos gastos e investimentos”.
“A lógica da nossa virada é justamente ser mais assertivo no investimento”, diz Solé. Como prioridades, diz ele, estão a redução dos índices de churn.
A Alloha não está em um momento de ofertas agressivas de serviços de valor adicionado, ainda que a empresa tenha um portfólio de streaming já relevante. Tampouco tem planos ousados para o segmento móvel, onde ainda estuda as possibilidades de uma MVNO ou parcerias. “Mas o churn ainda não está onde a gente quer. Isso é prioridade”, diz Solé. Outro foco de crescimento é o segmento B2B (assista à entrevista aqui).
Para o CEO da Alloha, novos serviços ao consumidor, ainda que possam trazer receitas, não podem trazer uma distração.
A Alloha está otimista com o trabalho de regularização que tem sido conduzido pela Anatel junto aos pequenos provedores. “Isso é fundamental, porque a competição estava se tornando injusta para nós”, diz Solé.
Para Matsunaga, operadoras como a Alloha, que figuram no pelotão das “operadoras médias”, têm os mesmos custos de atuar na formalidade que as grandes empresas têm, mas sem a mesma escala, e uma competição desleal com empresas que não pagam impostos nem pelo uso dos postes, por exemplo. “Por isso a regularização é essencial para a competição”, diz.
