Algar vê avanço dos ISPs como aprendizado e recalibra estratégia
A nova CEO da Algar, Eliane Melgaço, assumiu a empresa familiar de mais de 72 anos de história com foco em transformação. A executiva, em conversa com o Tele.Síntese, contou sobre a crise recente na operação, que afastou clientes, observou que o avanço dos provedores regionais trouxe aprendizados, e que a reestruturação do grupo já está colhendo resultados com o retorno de clientes.
“A Algar subestimou o crescimento dos ISPs. Foi um aprendizado. A Algar foi arrogante, e eu não tenho problema em falar isso”, afirmou na entrevista, gravada na sede da empresa em São Paulo.
A revisão ocorre em um mercado no qual os provedores regionais ampliaram sua presença na banda larga fixa. Para a CEO, a competição deixou de estar concentrada na implantação de infraestrutura e passou a depender da capacidade de conquistar e manter consumidores.
“Não é mais uma disputa por rede, por crescimento ou por construção de rede. É uma disputa pelo cliente”, declarou.
Ocupação da infraestrutura
A Algar pretende aproveitar melhor a infraestrutura já disponível nas regiões em que atua. A companhia não planeja, neste momento, entrar em novos mercados por meio da construção de grandes extensões de rede.
Nesse processo, a operadora avalia adquirir pequenos ISPs localizados em áreas próximas à sua cobertura. As possíveis operações seriam utilizadas para preencher espaços entre mercados já atendidos, combinando a infraestrutura adquirida com a marca e a estrutura comercial da Algar.
“A gente vai buscar ISPs menores exatamente para fortalecer [a operação]. Há regiões onde nós atuamos com alguns buracos”, explicou Eliane.
A empresa mantém conversas com possíveis alvos, mas não abre meta de aquisições, de clientes incorporados ou de investimentos.
Além da proximidade com a rede existente, a Algar pretende considerar a qualidade do serviço, o perfil da empresa, o relacionamento com os consumidores e a compatibilidade cultural dos eventuais alvos.
“A rede é importante, sim, mas a qualidade do serviço e a qualidade da empresa eu diria que são ainda mais importantes”, afirmou a CEO.
Eficiência e retomada do lucro
A recalibragem da estratégia também inclui a revisão de processos e da aplicação dos investimentos. A Algar projeta voltar a registrar lucro em 2027, com apoio da recuperação da eficiência operacional e da redução do endividamento.
Segundo Eliane, a margem EBITDA passou de 30%, quando ela assumiu a gestão operacional da companhia, em 2024, para 41,9% no último exercício publicado (primeiro trimestre de 2026). No mesmo período, a alavancagem recuou de 2,87 vezes para 2,27 vezes, enquanto a relação entre Capex e receita caiu de 22,4% para 12,3%.
Confira acima a entrevista completa da executiva concedida ao TV.Síntese, o programa de entrevistas do Tele.Síntese.
