Sábado, 11 de Julho de 2026

Alares se torna maior ISP de São Paulo após aquisição da Desktop pela Claro

A Alares se tornará a a maior ISP competitivo (PPP) no estado de São Paulo como consequência da aquisição da Desktop pela Claro. Hoje, a empresa é a quarta empresa, atrás da Vivo, Claro e da própria Desktop. Trata-se, obviamente, de uma posição meramente simbólica, mas significativa. Com seus cerca de 370 mil clientes no Estado, ela estará ainda muito atrás dos cerca de 6 milhões de clientes que a Claro terá em São Paulo após concluir a aquisição, ou dos quase 5 milhões que a Vivo tem no Estado. Mas não deixa de ser um fator de atenção competitiva, e a Alares quer se colocar como protagonista nesse cenário.

Denis Ferreira, CEO da operadora, lembra que essa posição no Estado de São Paulo não decorre do acaso, mas de uma estratégia de crescimento que será mantida nesse novo cenário competitivo. “Quando a Grain (fundo de investimentos) comprou o grupo Conexão, na época, nossa cobertura principal estava no Rio Grande do Norte e Ceará. Havia apenas um pequeno pedaço de São Paulo e Sul de Minas”, afirma. “A gente aqui tinha uma operação em São Paulo, mas muito pequena”.

O crescimento da Alares resultou de uma combinação de expansão orgânica e aquisições. Em 2022, o Grupo Conexão foi reestruturado, tornando-se Alares. Nesse momento, a empresa desenvolveu uma espécie de “playbook de M&A” que possibilitou integrações mais rápidas, e isso acelerou o crescimento. “A nossa última operação de compra estava totalmente integrada em três meses”, diz Ferreira.

As aquisições foram, portanto, um fator central para a expansão em São Paulo. A Alares adquiriu a Webby, com 115 mil assinantes, estendendo sua presença da região de Marília até Presidente Prudente. Em 2024, a compra da Azza Telecom adicionou 140 mil assinantes, cobrindo do sul de São Paulo ao litoral . No final de 2025, a IPNet foi incorporada, somando 25 mil assinantes e complementando a área da Azza . As integrações ocorreram em prazos curtos, com a IPNet sendo integrada em tempo recorde, e hoje o Estado de São Paulo representa 45% da base da Alares no Brasil.

No crescimento orgânico, a Alares investiu na melhoria de redes e na expansão em áreas existentes, além de iniciar operações “greenfield” em cidades como Limeira, Rio Claro, Araras e Atibaia, utilizando a tecnologia XGS-PON. “A opção pelo XGS-PON, juntamente com a oferta combinada com WiFi 6, foi exatamente para a gente ter argumentos diferentes. Que gerassem mais competitividade, novos argumentos de vendas”, afirma o CEO.

Estratégia mantida
Para manter a competitividade frente às gigantes Vivo e Claro, a Alares diz que seguirá a estratégia focada na criação de valor, evitando disputas de preço. “Nós não entramos em guerra de preço. O que nós fazemos é sempre colocar cada vez mais valor percebido para o nosso cliente”, afirma Ferreira. A diversificação de produtos levou ao lançamento do serviço de streaming proprietário Alares Play. Outra aposta dos últimos anos tem sido a ampliação da atuação no segmento B2B, com foco em soluções inteligentes para condomínios, que incluem serviços de segurança e controle de acesso.

Agora, a estratégia passa também pela modernização da rede. Até o meio do ano a empresa pretende concluir o projeto de infraestrutura “AI-ready” (pronta para inteligência artificial), com investimento em uma atualização do core operacional, da capacidade de edge computing, agregação e cibersegurança. “Quando você entra num mundo de demanda por inteligência artificial, preparar a sua rede passa a ser um desafio. Depois a gente vai vender isso para os clientes, no caso do B2B”, explica Denis Ferreira.

Em paralelo, a Alares planeja continuar a expansão por meio de aquisições, buscando ativos que se alinhem à sua estratégia e cultura. “Nós vamos continuar fazendo inorgânico, nós vamos continuar sendo protagonistas na consolidação do mercado”, afirma Ferreira. A empresa considera três fatores em processos de M&A: o mercado do ativo e a complementariedade, a qualidade do ativo e o alinhamento de governança e cultura. ” A partir daí olhamos todas as alternativas”, diz ele, reforçando que ainda vê muito espaço para aquisições e fusões entre operadores menores.

A companhia não pretende entrar no segmento móvel (MVNO) no curto prazo, reitera Ferreira, mesmo com o avanço da Unifique no Estado de São PAulo com a compra das frequências que eram da Sercomtel. “Não faz parte do nosso plano de curto prazo (trabalhar com o segmento móvel). A gente não vê essa necessidade premente de ter esse serviço”, declara o CEO.

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