Agro amplia em 35% demanda por plástico reciclado
A embalagem vazia que deixa uma propriedade rural pode percorrer um caminho capaz de levá-la novamente à cadeia de defensivos. Depois da devolução, o plástico passa pela logística reversa, é processado e transformado em resina que pode servir de matéria-prima para uma nova embalagem. Esse circuito ganha relevância à medida que a agroindústria aumenta o consumo de materiais reciclados.
A procura do setor por plásticos reciclados cresceu mais de 35% em apenas um ano, segundo estudo encomendado pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). No mercado brasileiro como um todo, a produção de resina plástica reciclada pós-consumo, conhecida como PCR, avançou quase 8% e ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas.
O movimento amplia a importância da capacidade industrial instalada para transformar resíduos em matéria-prima com especificações adequadas a novas utilizações. No segmento de defensivos agrícolas, parte desse processo ocorre dentro do próprio sistema de logística reversa das embalagens utilizadas no campo.
A Campo Limpo Reciclagem, criada em 2008 e mantida no âmbito do Sistema Campo Limpo, produz embalagens para defensivos a partir de resina reciclada pós-consumo. A empresa possui capacidade instalada para fabricar até 17 milhões de embalagens por ano e opera unidades industriais em Taubaté e Ribeirão Preto, no interior paulista.
O ponto de partida está na própria propriedade. Após o uso e os procedimentos previstos para devolução, as embalagens vazias são encaminhadas pelos agricultores às unidades de recebimento do Sistema Campo Limpo. A logística reversa é realizada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), e o material destinado à reciclagem segue para as empresas recicladoras do sistema.
Na Campo Limpo Reciclagem, o plástico é processado e convertido novamente em resina. O material pode então retornar ao mercado na forma de embalagens destinadas ao envase de defensivos, fechando um ciclo no qual parte do resíduo gerado pela atividade agrícola volta a ser utilizada pela própria cadeia.
Segundo Marcelo Okamura, presidente da Campo Limpo Reciclagem, mudanças na Política Nacional de Resíduos Sólidos, metas de logística reversa e regras relacionadas à gestão de resíduos têm contribuído para ampliar a produção de resinas recicladas no país.
A empresa informa ainda que uma embalagem de 20 litros produzida pelo processo evita a emissão de 1,49 kg de CO₂ equivalente. O processo utilizado na fabricação conta com certificação UN para transporte terrestre e marítimo de produtos perigosos e recebeu patente verde do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Para a distribuição de defensivos, a expansão desse mercado reforça a conexão entre venda, devolução e reaproveitamento das embalagens. O crescimento da demanda por resina reciclada mostra que a logística reversa não termina no recebimento do recipiente usado: quando existe capacidade industrial para reprocessá-lo, o resíduo pode voltar ao sistema produtivo como matéria-prima e reduzir a necessidade de plástico virgem.
