AbraCloud defende regulamentação em ondas e fast track para o Redata
A Associação Brasileira de Infraestrutura e Serviços Cloud (AbraCloud) pede, em carta protocolada ao governo federal nesta terça-feira, 8, a implementação de um regime transitório para acelerar a utilização do Redata ainda em 2026.
O Redata, vale lembrar, é o programa que institui benefícios fiscais para operações de data centers no Brasil. O texto foi aprovado pelo Senado na semana passada e aguarda sanção presidencial.
Na proposta, a AbraCloud defende a adoção de um sistema fast track para o Redata. O modelo funcionaria como um período transitório em que o cumprimento dos compromissos fosse exigido em marcos de três a seis meses. Algumas documentações, incluindo a comprovação legal de habilitação para operação de data center, ainda seriam exigidas de imediato das empresas que utilizassem o programa.
“A sugestão é de desenho, não de redação. A alteração é pontual e extremamente relevante para o Redata ter efeito efetivo ainda em 2026”, afirma Roberto Bertó, presidente da associação, na carta.
Além disso, a AbraCloud sugere que a eventual regulamentação do programa “avance em ondas”. Inicialmente, seriam definidos os atos necessários para habilitação, aquisição de equipamentos e instalação das infraestruturas.
“E isso não vale apenas para o início do Redata. Este é um mercado em formação. A cada poucos trimestres, encontraremos, como mercado e como sociedade, novos desafios de implementação. A regulamentação do próprio regime precisará continuar evoluindo com eles”, ressalta Bertó.
Financiamento via BNDES
Na carta, a AbraCloud ainda defende linhas de financiamento público, sobretudo via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para o setor de data centers.
Segundo a entidade, a necessidade de expansão “pode aparecer cedo”, especialmente se o sistema fast track for implementado. Inclusive, diz que a o ganho de escala da Inteligência Artificial (IA) “cria uma necessidade financeira diferente daquela para a qual grande parte dos instrumentos tradicionais foi desenhada”.
O presidente da entidade reforça que o principal entrave é conseguir financiamento recorrente, o que pode ser solucionado com estruturas capazes de acompanhar a demanda. “Aqui há espaço para que o BNDES e as demais instituições competentes avaliem instrumentos compatíveis com ciclos recorrentes de expansão”, sugere Bertó.
