Sexta-feira, 9 de Outubro de 2026

96% dos CIOs do setor financeiro aceleram adoção de IA, mas enfrentam desafio para equilibrar inovação, governança e segurança

96% dos CIOs do setor financeiro registraram um aumento no interesse por IA ao longo do último ano, mas enfrentam um desafio para equilibrar inovação com governança e segurança, é o que aponta o relatório Logicalis CIO Report 2026. O estudo conclui que o setor está impulsionado pela necessidade de inovar, aumentar a eficiência operacional e oferecer experiências cada vez mais personalizadas aos clientes, enquanto cresce também o desafio de garantir governança, segurança e capacidade de escalar essas iniciativas.

O relatório enfatiza que o cenário, apesar do otimismo, ainda é perpetuado por incertezas. Mais da metade dos CIOs de empresas de serviços financeiros, 52%, afirma não ter plena confiança de que suas organizações possuem um roteiro consistente para orientar a evolução da IA nos próximos anos, enquanto a mesma porcentagem acredita que a implementação da tecnologia está acontecendo rápido demais e 89% reconhecem que suas empresas estão aprendendo à medida que implantam novas soluções.

“Os CIOs do mercado financeiro estão assumindo um papel ainda mais estratégico. Eles não são apenas responsáveis por implementar novas tecnologias, mas por criar modelos de governança que permitam escalar a inteligência artificial com segurança, transparência e alinhamento aos objetivos do negócio. A vantagem competitiva não estará apenas em adotar IA primeiro, mas em fazê-lo de forma sustentável e responsável”, afirma Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis Brasil.

A companhia destaca que o principal desafio das organizações atualmente está em escalar a inovação com segurança e governança. Embora a IA já esteja produzindo ganhos relevantes, especialmente na melhoria da prestação de serviços (55%), na experiência do cliente (51%) e em análises preditivas (47%), transformar iniciativas isoladas em capacidades corporativas permanece como um dos principais obstáculos.

Ainda, segundo o estudo, 68% dos CIOs do segmento financeiro consultados não estão plenamente confiantes de que conseguirão expandir projetos de IA além das provas de conceito. Na avaliação dos executivos, esse empecilho está menos relacionado à tecnologia e mais à maturidade organizacional. Entre as principais barreiras aparecem as preocupações com regulamentação e conformidade (90%), desafios relacionados aos dados (89%), cultura organizacional (84%) e escassez de competências técnicas (82%).

Não obstante, o avanço da IA também está remodelando o cenário da cibersegurança no setor financeiro. O levantamento mostra que 78% das organizações financeiras das regiões pesquisadas sofreram incidentes cibernéticos no último ano e, 27% dos CIOs já consideram a IA um risco significativo para seus negócios.

Os desafios, porém, não param por aí. 35% dos executivos afirma que a IA criou novos pontos cegos de segurança, enquanto 40% relatam aumento no tempo de resposta a incidentes. A falta de visibilidade sobre as ferramentas de IA utilizadas dentro das organizações também preocupa, uma vez que 65% dos CIOs não estão totalmente confiantes de que possuem controle completo sobre essas soluções e 66% avaliam que seus modelos de governança não conseguem acompanhar a velocidade de evolução da tecnologia.

Outro dado chama atenção para o fator humano. Para 67% dos entrevistados, o treinamento dos colaboradores ainda é insuficiente, enquanto 48% acredita que o uso inadequado de ferramentas de IA pelos funcionários representa risco para a segurança dos dados corporativos.

Para o futuro, o relatório aponta para sistemas capazes de atuar com autonomia crescente. 59% das organizações do setor pretendem investir em IA agêntica nos próximos 12 meses.

De acordo com o estudo, essa transformação exigirá mudanças profundas na arquitetura operacional das empresas. 97% dos CIOs afirmam que pretendem ampliar o uso de provedores de serviços gerenciados (MSPs) nos próximos anos para acelerar a inovação e suprir a necessidade de competências especializadas.

Ao mesmo tempo, tecnologias emergentes como computação quântica entram no radar estratégico. Cerca de 28% dos executivos acreditam que ela poderá impactar seus modelos de negócio já nos próximos dois anos.

Para a Logicalis, essa nova fase exige uma evolução no papel da liderança de tecnologia. “Estamos entrando em uma era em que os CIOs deixam de liderar apenas projetos de transformação digital para arquitetar ecossistemas inteligentes, nos quais pessoas, agentes de IA e parceiros tecnológicos trabalham de forma integrada. O diferencial competitivo será construir ambientes em que inovação, governança, segurança e responsabilidade evoluam na mesma velocidade”, conclui Hashimoto.

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