84% do e-commerde na América Latina acontece em smartphones, segundo Mercado Livre
O comércio eletrônico na América Latina consolidou-se como um ecossistema projetado e operado a partir do smartphone. De acordo com o estudo “Por trás do clique: o ecossistema que sustenta o e-commerce na América Latina”, publicado pelo Mercado Livre em parceria com a Endeavor, 84% das compras online na região são realizadas por meio de telefones inteligentes.
Esse padrão explica grande parte do crescimento acelerado do e-commerce regional, que avança 1,5 vez acima da média global, com valor estimado de US$ 215,3 bilhões até 2026. Além do crescimento dos marketplaces, o fenômeno está ligado à adoção massiva do smartphone como principal ponto de acesso a pagamentos, crédito, logística e atendimento ao cliente.
Países como Brasil, México e Argentina concentraram, em 2025, 84,5% das vendas digitais do varejo na região, refletindo uma forte concentração do valor de mercado. O ponto em comum entre esses países não é apenas o tamanho, mas a maturidade do consumo móvel, com usuários que completam todo o ciclo de compra — descoberta, pagamento e pós-venda — diretamente pelo telefone.
México lidera o varejo mobile-first
O México se destaca como um dos mercados de maior aceleração no modelo mobile-first. A penetração do comércio eletrônico no varejo passou de 3,7% em 2018 para 15,8% em 2024, e a projeção é que chegue a 17,7% em 2026, superando inclusive os Estados Unidos (17%).
Esse avanço se sustenta em uma base de mais de 67 milhões de compradores digitais, impulsionada por eventos comerciais de alto tráfego e pelo smartphone como principal dispositivo de acesso, reduzindo as barreiras de entrada em relação ao uso de computadores, detalha o estudo.
América Latina tem consumidor móvel exigente e com baixa tolerância a erros
O domínio do smartphone também redefine o comportamento do consumidor. 47% dos usuários abandonam uma plataforma após uma experiência ruim, enquanto outros 40% considerariam fazê-lo.
Os principais pontos de atrito continuam sendo estruturais: atrasos na entrega (56%), processos de devolução complexos e falhas no pagamento. Em contraste, os consumidores priorizam aspectos básicos, como segurança nos pagamentos (77%) e clareza nos preços e condições (74%), acima de funcionalidades avançadas como personalização, considerada crítica por apenas 31%.
Embora os marketplaces continuem sendo a face mais visível do e-commerce móvel, os investimentos estão se deslocando para as camadas de infraestrutura. Crédito e pagamentos concentram US$ 6,6 bilhões em investimentos, seguidos por logística e fulfillment, com US$ 3,6 bilhões.
Prova disso é que, no segundo trimestre de 2025, apenas 56% da receita líquida do Mercado Livre veio diretamente do comércio, enquanto o restante foi gerado por serviços financeiros e outros verticais.
