Sábado, 5 de Setembro de 2026

5G SA eleva velocidades em mais de 20% no Brasil

A migração do 5G NSA para o 5G SA elevou em mais de 20% as velocidades de download e upload em cidades brasileiras analisadas pela Ookla. A empresa acompanhou os mesmos usuários antes e depois da ampliação da rede autônoma e também identificou redução da latência.

Os resultados foram apresentados por Jonathan Siqueira, gerente de Soluções e Sucesso do Cliente da Ookla, durante o Conecta Latam Telco Transformation.

No levantamento, a Ookla estabeleceu como referência a semana em que ocorreu a massificação do 5G SA. Antes da mudança, os usuários acessavam o 5G NSA, arquitetura que utiliza o núcleo da rede 4G. Depois, os mesmos dispositivos passaram a se conectar ao núcleo próprio do 5G.

“Na velocidade de download e upload, houve um salto de mais de 20%”, afirmou Siqueira.

A latência caiu após a migração, mas em intensidade inferior à registrada nas velocidades.

Ganhos dependem da rede e espectro
Os dados brasileiros acompanham uma tendência identificada pela Ookla em mais de 20 países da América do Norte, Europa e Ásia, regiões que adotaram o 5G SA mais rapidamente do que a América Latina.

Em determinados mercados norte-americanos, a velocidade de download no 5G SA chegou a ficar 120% acima da registrada no NSA. A tecnologia também ampliou o upload e reduziu a latência nos países analisados.

Siqueira ressaltou que os resultados não podem ser reproduzidos automaticamente em outros mercados. Os ganhos dependem da quantidade de espectro disponível, da configuração da rede e dos recursos adotados por cada operadora.

Upload equivale a 6% do download
Apesar do avanço do 5G SA, a diferença entre as velocidades de entrada e saída de dados permanece como um enorme gargalo. A mediana do upload no Brasil está próxima de 26 Mbps, enquanto o download supera 400 Mbps no universo apresentado pela Ookla. A velocidade de envio equivale, portanto, a aproximadamente 6% da velocidade de recebimento.

Essa assimetria ganha relevância com a adoção de aplicações de IA que exigem o envio contínuo de informações para processamento em nuvem. O funcionamento dessas ferramentas também depende do tempo de resposta da rede e da localização dos servidores.

Os testes da Ookla indicam que, sob carga, a latência nas redes brasileiras pode ficar sete vezes maior do que em condições sem utilização intensa. A degradação ocorre quando diferentes perfis de usuários acessam simultaneamente a infraestrutura.

Distância da nuvem cria diferença entre estados
A presença de data centers no Brasil reduz o tempo de resposta no acesso às plataformas de nuvem. O benefício, contudo, não é distribuído uniformemente pelo território nacional.

Nas medições realizadas com servidores de Google, Amazon Web Services, Microsoft Azure e Oracle, os estados mais próximos da infraestrutura instalada em São Paulo apresentaram latência menor. A diferença entre unidades da Federação chegou perto de 100 milissegundos.

“Mesmo tendo infraestrutura de nuvem em determinado país, não significa que o desempenho estará igualmente distribuído”, disse Siqueira. Para o executivo, velocidade de upload, latência sob carga e distância dos servidores precisam ser consideradas no planejamento de redes destinadas a aplicações de IA.

Direct to Cell cresce 24%
A companhia também identificou expansão das conexões diretas entre celulares e satélites. O volume de amostras de Direct to Cell aumentou aproximadamente 24% entre julho de 2025 e março de 2026.

Os Estados Unidos respondiam por 74% das amostras no início do período. Em março deste ano, essa participação havia caído para 45%, enquanto as medições avançavam em outros mercados.

Siqueira afirmou que o D2D não substituirá, no estágio atual, as redes móveis terrestres. A tecnologia vem sendo empregada para complementar a cobertura em áreas onde a instalação de estações radiobase é difícil, inicialmente com mensagens e comunicações de emergência.

O nível de sinal disponível nas conexões diretas com satélites ainda não permite tratar o serviço como cobertura móvel em ambientes internos. A operação depende de condições que assegurem visibilidade entre o dispositivo e o satélite.

* o jornalista viajou a convite do Conecta Latam

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