Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026

2025: O último capítulo do boom da banda larga fixa no Brasil

Imagem: Telco Advisors

Na última edição da coluna, compartilhei com vocês o Panorama da Banda Larga Fixa. Uma “foto” dos últimos 12 meses, mostrando o tamanho e a força do nosso mercado.

Mas confesso: enquanto montava a nova versão desse panorama, algumas mensagens importantes começaram a aparecer. Aquelas que, quando a gente olha de forma ampla, se perdem na média.

Só que, no detalhe, contam uma história que não poderia ser traduzida apenas naquele infográfico: 2025 é o ano que encerra o boom da banda larga fixa no Brasil.

De onde veio esse boom?
O infográfico que compartilho nesta edição da coluna é um retrato dessa fase. Eu gosto de dizer que ele representa o boom da banda larga fixa, que começou lá em 2017 e agora chega ao fim.

Mas por que 2017? Simples: é o primeiro ano em que a curva de crescimento realmente se acentua, a virada de chave do NET ADD x Fibra.

No gráfico, a linha verde mostra os Net Adds, os novos acessos adicionados à base brasileira do mercado brasileiro. A linha azul mostra os acessos em fibra instalados no mesmo período.

Olha só o que aconteceu em 2021:
O mercado brasileiro cresceu 5,3 milhões de novos acessos;
mas, naquele mesmo ano, foram instalados 9,1 milhões de acessos em fibra.
E aí surge a pergunta: como é possível instalar mais acessos em fibra do que o crescimento líquido total?

A resposta está na migração tecnológica. Toda vez que uma operadora trocava DSL, coaxial, rádio ou satélite por fibra, esse movimento entrava na conta de instalações/ativação, mas não aumentava, de fato, o tamanho do mercado.

Era assim: você batia na porta de um consumidor que ainda não tinha banda larga fixa e pronto, era um Net Add, um acesso novo para a base.

Batia na porta de outro e ele já tinha internet, mas em xDSL, coaxial, rádio ou satélite. Nesse caso, entrava a fibra: às vezes trazida por uma nova operadora conquistando o cliente, às vezes pela própria prestadora, que atualizava a tecnologia para proteger sua base e segurar o churn.

E quanto maior for a distância entre a linha azul e a verde no gráfico, maior era essa janela de oportunidades.

Em 2019 e 2021, essa diferença foi enorme. O mercado parecia não ter fim.

A virada de chave, só que essa história começou a mudar. Em 2024, vimos a maior aproximação entre as duas linhas do gráfico. Isso mostrava que a migração, que foi durante anos um dos motores do movimentação do mercado, já estava chegando ao limite.

Em 2024, o mercado brasileiro adicionou 3,9 milhões de novos acessos líquidos (Net Adds). E não, 2024 não foi ruim. Pelo contrário: o Brasil adicionou, em apenas um ano, mais acessos de banda larga fixa do que muitos países europeus somados em um ano. Isso não é pouca coisa.

A questão é outra: por mais que ainda seja um número gigante em comparação internacional, esse bolo já não sustenta 23 mil prestadoras.

2025: sinais claros de encerramento do boom
E agora chegam os dados do primeiro semestre de 2025:

Os Net Adds caíram 37% em relação a 2024 e 33% em relação a 2023.
Os Net Adds em fibra caíram 29% frente a 2024 e 42% frente a 2023.
É normal o primeiro semestre ser mais fraco que o segundo, na fixa. Mas não nesse nível.

E quando conectamos isso com os dados mais recentes da PNAD, o quadro fica ainda mais claro:
93,6% dos domicílios brasileiros já têm internet;
88,9% têm banda larga fixa (paga ou compartilhada);
84,3% contam com banda larga móvel.
Ou seja: o espaço de mercado encolheu. O ciclo de massificação se encerra.

E daqui pra frente?
O mercado continuará crescendo. Mas a pressão agora é outra: o crescimento atual já não suporta a pulverização de 23 mil prestadoras.

Chegamos ao ponto de inflexão: o boom iniciado em 2017 se encerra em 2025.

E os desafios da nova fase estão claros: consolidação, eficiência, inovação e novos modelos de negócio.

Assim como nas festas de aniversário, se você convida 50 pessoas para um bolo de 20 fatias, muita gente vai ficar sem. No fim, come quem chegar primeiro.

José Felipe Ruppenthal é CEO da consultoria Telco Advisors e todo mês traz ao Tele.Síntese sua análise sobre o mercado de telecomunicações na coluna Etc. & Thal.

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