Desconto na tarifa de energia esbarra em falta de medidores adequados

Jovem Pan, Jornal na Rede - 09/10/2021

Durante a atual crise hídrica brasileira e o consequente aumento do preço nas contas de luz, o desconto na tarifa depende de novos medidores nas casas e comércios do Brasil. A chamada tarifa Branca poderia ajudar o consumidor e o sistema elétrico, mas poucas pessoas sabem que ela existe e não há incentivo das empresas de energia para a sua divulgação. O diretor da Abinee, Associação Brasileira da Indústria Eletro Eletrônica, Marcelo Machado, explica que vários países já implantaram o modelo, mas no Brasil o setor segue com a tarifa volumétrica em baixa tensão para 99% dos clientes. “Um medidor que possa fazer justamente essa leitura do consumo nos postos tarifários precisa ser um medidor minimamente inteligente”, afirma.

A redução nas faturas ocorre de acordo com o horário da utilização da luz. O pico, com preço mais alto, se concentra das 17h30 às 20h30. O período intermediário, das 16h30 às 17h30; e das 20h30 às 21h30. Já o período fora do pico, mais barato, está posicionado entre às 21h30 às 16h30 do dia seguinte. A tarifa Branca está em vigor desde 2018, mas não há incentivo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para sua expansão no país. “Nem todos os consumidores sabem disso. Existe um desconhecimento bastante grande em relação a isso. Eu acho que para o momento que estamos vivenciando, essa crise energética, que começa a se acentuar um pouco mais com relação aquilo que chamamos de conta de luz, existe uma necessidade de que as concessionárias, as distribuidoras, divulguem um pouco melhor, no sentido de educar os consumidores sobre a existência dessa possibilidade”, pontua Machado. O incentivo à utilização da tarifa Branca está entre as propostas elaboradas pela Abinee para ajudar na atual crise hídrica num documento entregue ao Ministério de Minas e Energia, de acordo com a realidade de cada distribuidora.