Coronavírus paralisa 24% da indústria eletroeletrônica no Brasil

CBN - 28/03/2020

Produção industrial da China. Foto: STR / AFP (Crédito: )

Produção industrial da China. Foto: STR / AFP

Quase um quarto do setor elétrico e eletrônico no Brasil está total ou parcialmente paralisado por causa da pandemia de coronavírus.

Levantamento feito pela Abinee, Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, aponta que 24% das empresas não operam plenamente.

No início da crise, a principal preocupação do setor era o avanço da doença na China.

O Brasil importa do país asiático 42% dos componentes usados na produção de celulares, tablets, computadores e eletrodomésticos.

Para o presidente da Abinee, Humberto Barbato, o problema maior agora é a paralisação das atividades.

Ele explicou que o avanço da doença para a Europa também atrapalhou as empresas.

"Elas já estão paralisando não só em função da falta de componentes, como também pelos aspectos de logística e porque dependem de componentes que muitas vezes vêm do próprio continente europeu. Para 43% das empresas, entretanto, ainda será possível manter o resultado previsto para o ano. Então, existe uma paralisação das atividades, das vendas e das próprias empresas", explicou Barbato.

Com o maior controle da doença na China, caiu de 70% para 51% a fatia da indústria eletroeletrônica que relata problema no abastecimento de insumos, componentes e materiais importados.

Presidente da Abimaq, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, José Velloso está otimista com as medidas econômicas anunciadas pelo Governo Federal.

Ele defende ainda crédito para grandes empresas e acordos na área trabalhista.

"Que tragam a possibilidade dos empresários fazerem lay-off, ou seja, a suspensão do contrato de trabalho, redução de jornada com redução proporcional de salários. Medidas importantes para que as empresas consigam atravessar os próximos 60, 90, quem sabe até 120 dias dessa crise", destacou Velloso.

Ao todo, 30% das empresas que dependem de componentes eletroeletrônicos importados da China já informaram que não devem atingir a produção prevista para o 1º trimestre de 2020.